Médio Oriente
Israel sepulta o último refém do Hamas que tinha ligações a Portugal
28 jan, 2026 - 16:59 • Reuters
Gvili foi uma das cerca de 1.200 pessoas mortas no ataque que desencadeou a guerra em Gaza, na qual, segundo as autoridades de saúde palestinianas, Israel matou mais de 71.000 palestinianos.
O último refém israelita, e que tinha ligações a Portugal, recuperado de Gaza foi sepultado esta quarta-feira, num funeral que contou com a presença de centenas de pessoas e que, segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pôs fim a um capítulo “doloroso” da história de Israel.
Ran Gvili, um agente da polícia fora de serviço, foi morto enquanto combatia militantes do Hamas que atacaram o sul de Israel a 7 de outubro de 2023. Das cerca de 250 pessoas raptadas nesse dia, Gvili foi o último a ser entregue a Israel, tendo sido sepultado na sua cidade natal de Meitar, no sul de Israel.
O caixão foi transportado para o funeral numa procissão iniciada no Campo Shura, uma instalação onde Israel procedeu à identificação das vítimas do ataque de 7 de outubro de 2023. Ao longo de parte do percurso, polícias e civis com bandeiras israelitas alinharam-se para prestar homenagem.
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“O enterro de Ran Gvili põe fim à dolorosa realidade da existência de reféns israelitas na Faixa de Gaza, todos eles, vivos ou mortos”, afirmou Netanyahu no elogio fúnebre.
O presidente Isaac Herzog também discursou na cerimónia. Disse que toda a nação chorava Gvili, que tinha 24 anos quando morreu, e que “os fragmentos estilhaçados dos nossos corações podem começar lentamente a reunir-se rumo à cura e à reparação”.
Dezenas de reféns morreram em cativeiro
Gvili foi uma das cerca de 1.200 pessoas mortas no ataque que desencadeou a guerra em Gaza, na qual, segundo as autoridades de saúde palestinianas, Israel matou mais de 71.000 palestinianos.
Muitos dos reféns foram libertados durante dois curtos cessar-fogos, mas dezenas morreram em cativeiro. Ao abrigo de um acordo alcançado em outubro, mediado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o Hamas e outros grupos concordaram em devolver os restantes reféns, vivos ou mortos, em troca da libertação de prisioneiros palestinianos.
O regresso do último refém e o seu sepultamento assinalam um momento de cura nacional para os israelitas. O ataque do Hamas, o mais mortífero contra judeus desde o Holocausto, foi amplamente considerado o acontecimento mais traumático da história do país.
Conclui também um elemento central da fase inicial do plano de Trump para pôr fim à guerra. A segunda fase, que Washington anunciou ter começado no início deste mês, inclui a reabertura da passagem de Rafah, em Gaza, na fronteira com o Egito.
Tzvika Mor, cujo filho Eitan Mor foi feito refém mas libertado em outubro passado, esteve entre as pessoas que assistiram à passagem do cortejo fúnebre. “Estamos aqui para nos despedirmos e para apoiar a família Gvili”, afirmou, descrevendo Gvili como um herói.
Harel Plachinsky, tia de Gvili, considerou também o regresso dos restos mortais do sobrinho e o seu enterro como um momento de encerramento. “Isto é, de certa forma, o fim da guerra… e penso que o 7 de outubro termina hoje”, disse.
- Noticiário das 10h
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