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Guerra na Ucrânia

Líderes europeus prometem apoio à Ucrânia à medida que a guerra entra no quinto ano

24 fev, 2026 - 17:12 • Reuters

Responsáveis europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o Presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, deslocaram-se a Kiev para o aniversário.

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Os líderes europeus prometeram esta terça-feira não abandonar a Ucrânia, à medida que a invasão da Rússia entrava no quinto ano, embora as divisões entre os parceiros de Kiev tenham ofuscado as comemorações do início do maior conflito no continente em décadas.

O aniversário do início do conflito ocorre um dia depois de a Hungria ter vetado novas sanções da União Europeia contra a Rússia e um empréstimo de 90 mil milhões de euros (105 mil milhões de dólares) crucial para a sobrevivência da Ucrânia.

A Hungria, que mantém laços estreitos com Moscovo, e a vizinha Eslováquia acusam Kiev de bloquear deliberadamente o fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, que a Ucrânia diz estar a tentar reparar após um ataque russo no mês passado.

O Presidente Volodymyr Zelensky, sob crescente pressão dos EUA para garantir um acordo de paz, tem instado repetidamente os aliados de Kiev a apertar as sanções contra Moscovo e a enviar mais armas, enquanto o Presidente russo Vladimir Putin não dá sinais de pôr fim à guerra.

Merz: "Esta guerra só terminará quando Putin perceber que não pode ganhar"

Responsáveis, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o Presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, deslocaram-se a Kiev para o aniversário, mas não foram acompanhados por chefes dos principais governos ocidentais.

Os líderes presentes em Kiev reuniram-se no âmbito da Coligação da Vontade. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que participou por videoconferência, afirmou que os aliados da Ucrânia terão de “fazer o trabalho duro” de apoiar Kyiv e pressionar a Rússia.

O Reino Unido sancionou esta terça-feira o gigante dos oleodutos Transneft, entre quase 300 outros alvos russos, no que descreveu como o maior pacote de medidas desde os primeiros meses da guerra.

“Sabemos que, quando se trata de negociações, há uma pessoa que está a impedir o progresso dessas negociações, e essa pessoa é Putin — e ninguém mais”, afirmou Starmer.

O chanceler alemão Friedrich Merz, também a participar à distância, disse ser crucial “secar o financiamento da guerra da Rússia” avançando com um 20.º pacote de sanções. “Temos de ser muito claros: esta guerra só terminará quando Putin perceber que não pode ganhar”, afirmou.

Bruxelas planeia apresentar uma proposta legislativa para proibir permanentemente as importações de petróleo russo a 15 de Abril, três dias após umas eleições parlamentares vistas como o principal obstáculo ao acordo da Hungria, segundo responsáveis da UE e um documento consultado pela Reuters.

Em Kiev, Von der Leyen afirmou que a UE irá concretizar o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, “de uma forma ou de outra”.

Putin acusou a Ucrânia de tentar sabotar o processo de paz

Do lado da Rússia, em declarações transmitidas pela televisão, Putin acusou a Ucrânia de tentar sabotar o processo de paz, bloqueado pelas questões do território e do controlo da maior central nuclear da Europa.

Separadamente, o principal assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, disse que a Rússia informará os EUA sobre o que afirma serem tentativas da Ucrânia de obter armas nucleares. Não apresentou provas, e Kiev negou a alegação.

A Rússia insiste que a Ucrânia deve ceder os 20% finais da região oriental de Donetsk, industrializada e fortemente fortificada — enquanto Kiev é inflexível em não abdicar de território que milhares de pessoas morreram a defender.

Ucrânia e Rússia em guerra. Quatro anos depois da invasão, o impasse
Ucrânia e Rússia em guerra. Quatro anos depois da invasão, o impasse

Zelensky afirmou, num discurso matinal, que não trairá os sacrifícios feitos pelo seu povo apenas para pôr fim ao conflito: “Não podemos, não devemos, entregá-lo, esquecê-lo, traí-lo.”

O ambiente nas ruas de Kiev foi contido esta terça-feira, com algumas dezenas de pessoas reunidas numa cerimónia na praça central, com soldados a transportar bandeiras, para recordar os mortos em silêncio. O cansaço da guerra é o sentimento predominante entre muitos ucranianos.

“Não acho que vá acabar rapidamente, porque a Rússia odeia-nos e fará tudo o que for possível para nos destruir”, disse Svitlana Yur, de 48 anos, residente em Kiev.

Quase 6 milhões de pessoas deixaram a Ucrânia e mais de 3 milhões estão deslocadas dentro das suas fronteiras, o que representa mais de um quinto da população pré-guerra.

Num discurso televisivo ao Parlamento Europeu, Zelensky instou os membros da UE, composta por 27 países, a continuarem a defender o modo de vida europeu, afirmando que a adesão à UE será uma garantia da segurança futura da Ucrânia após a assinatura de um acordo de paz.

A UE está a ponderar formas de conceder à Ucrânia pelo menos alguns benefícios da adesão antes de esta implementar todas as numerosas reformas económicas, democráticas e judiciais exigidas para a adesão plena.

“Os russos têm de aprender que a Europa é uma união de nações independentes e de milhões de pessoas que não toleram a humilhação e não aceitarão a violência”, afirmou Zelensky.

Zelensky convidou ainda o Presidente dos EUA, Donald Trump: “Só visitando a Ucrânia e vendo as nossas vidas e lutas com os seus próprios olhos, compreendendo o nosso povo e a dimensão da sua dor, é que se pode perceber do que esta guerra realmente se trata.”

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