Jorge Rodrigues
Guerra entre Paquistão e Afeganistão resulta da "falta de ordem global”, mas "não evoluirá”
27 fev, 2026 - 09:51 • André Rodrigues
Coordenador de Risco Geopolítico da Porto Business School antecipa conflito limitado. ONU pede contenção. China e Rússia oferecem mediação.
A guerra iniciada na última madrugada entre Paquistão e Afeganistão é o resultado de “uma falta de ordem global”, admite na Renascença o coordenador do Observatório de Risco Geopolítico da Porto Business School (PBS), Jorge Rodrigues.
“A falta de ordem global, sem superpotências reguladoras, implica que haja um ajuste de placas até todos os conflitos acabarem por ficar mais ou menos em equilíbrio estratégico”, sublinha Jorge Rodrigues.
Daí que, na leitura deste especialista, o alcance deste conflito possa ser limitado. Tanto no tempo, como na extensão territorial.
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Apesar de reconhecer que “a Índia ainda tem algumas contas a ajustar com o Paquistão”, a par com o facto de os dois países serem potências nucleares, Jorge Rodrigues acredita que dificilmente haverá envolvimento ou interferência do lado indiano neste processo.
“Acredito que, a curto prazo, haverá apenas uma posição bastante forte por parte do Paquistão, um sinalizar de resposta do Afeganistão, uma última palavra do Paquistão e, depois, um equilíbrio final que não evoluirá”, afirma.
Um conflito que não interessa a ninguém
Num horizonte de tempo mais alargado, o coordenador de risco geopolítico da PBS entende que “dada a natureza dos envolvidos” e a “grande circulação de armas, fruto dos conflitos na região” torna o futuro imprevisível.
Mas Jorge Rodrigues insiste que este conflito em particular não interessa a nenhum dos principais atores internacionais.



E fundamenta: “para os Estados Unidos não há particular interesse nesta instabilidade, porque pretendem fazer uma retração de toda esta região – e já tem problemas que cheguem no Irão; a China também não têm interesse nenhum, visto que esta região é uma zona de interesse para a passagem de comércio; para a Rússia, obviamente, interessa outro tipo de conflitos para desviar atenções, mas há uma total incapacidade estratégica para intervir”.
A declaração de guerra do Paquistão ao Afeganistão levou ao bombardeamento de Cabul na madrugada desta sexta-feira. Pelo menos 130 combatentes talibãs terão morrido.
Nas reações, o secretário-geral das Nações Unidas pede máxima contenção. Através do seu porta-voz, António Guterres apela a todas as partes para que cumpram as suas obrigações ao abrigo do direito internacional e da proteção de civis.
Já a Rússia e a China pedem uma saída diplomática para este conflito e mostram-se disponíveis para mediar conversações entre as partes.- Noticiário das 22h
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