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Juan Carlos I pode regressar a Espanha? Casa do Rei esclarece quem decide

27 fev, 2026 - 07:50 • Olímpia Mairos

Felipe VI e o Governo afastam-se da decisão, enquanto Feijóo defende o regresso do rei emérito após a divulgação dos documentos do 23-F.

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A Casa do Rei espanhol indicou esta quinta-feira que a decisão sobre um eventual regresso de Juan Carlos I a Espanha cabe exclusivamente ao próprio rei emérito.

A posição surge depois de o líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, ter defendido publicamente o regresso de Juan Carlos I, na sequência da desclassificação dos documentos relativos ao 23-F, que confirmam o papel do então chefe de Estado na travagem do golpe de Estado de 1981.

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Ao jornal El País, a Casa do Rei sublinha que “a decisão de regressar a Espanha cabe ao Rei Juan Carlos”, afastando qualquer intervenção direta do atual monarca, Felipe VI, ou do Governo. Assim, a responsabilidade fica, pelo menos publicamente, nas mãos do próprio ex-chefe de Estado, que reside em Abu Dhabi desde 2020, após vários escândalos relacionados com a sua fortuna.

O Governo espanhol garante que não se opõe ao regresso do rei emérito, mas insiste que a divulgação dos documentos do 23-F não apaga os escândalos fiscais posteriores.

“Uma coisa não apaga a outra”, afirmou no Congresso o ministro da Presidência, Félix Bolaños, lembrando os casos ligados a fundos não declarados na Suíça.

Em 2021, Juan Carlos I pagou mais de quatro milhões de euros ao fisco espanhol para regularizar uma fraude fiscal superior a oito milhões de euros.

Feijóo defendeu que a desclassificação dos documentos deve contribuir para uma reconciliação nacional. Numa mensagem publicada na rede social X, considerou “desejável” que o rei emérito regressasse a Espanha, argumentando que quem defendeu a democracia “num momento crucial” deveria poder passar a última fase da vida “com dignidade e no seu país”. Mais tarde, reiterou que, apesar dos erros cometidos, o balanço do reinado de Juan Carlos I é “extraordinariamente positivo”.

No seio do Governo, o parceiro da coligação evitou tomar uma posição clara. A porta-voz parlamentar do Somar, Verónica Barbero, considerou o tema pouco relevante neste momento e defendeu uma reforma da lei dos segredos oficiais. Já o deputado da ERC, Gabriel Rufián, foi mais contundente, afirmando que “os criminosos, melhor fora do que dentro”.

O apelo ao regresso do rei emérito foi também apoiado pela presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, que afirmou que a posição de Feijóo reflete o que pensa “a grande maioria dos espanhóis”.

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