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Melania Trump defende "paz através da educação" em discurso inédito na ONU

02 mar, 2026 - 22:25 • Redação, com Lusa

"Que a paz seja vossa", destacou a primeira-dama sobre a importância da educação dos mais novos para um "futuro" menos ignorante. Melania Trump presidiu esta segunda-feira durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU. Os EUA "estão ao lado de todas as crianças do mundo", disse.

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A primeira-dama norte-americana, Melania Trump, presidiu esta segunda-feira a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, na qual defendeu a "paz através da educação" e garantiu que os Estados Unidos "estão ao lado de todas as crianças do mundo".

"As crianças criadas numa cultura enraizada na inteligência desenvolvem confiança, inovam, constroem, competem e mantêm um profundo sistema de valores. O conhecimento fomenta a empatia pelos outros, transcendendo a geografia, a religião, a raça, o género e até os valores locais", afirmou a mulher do Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, no seu discurso.

Segundo a ONU, esta é a primeira vez nos 80 anos da história das Nações Unidas que o cônjuge de um chefe de Estado em exercício preside uma reunião do Conselho de Segurança.

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"Mas as crianças criadas numa cultura enraizada na ignorância estão rodeadas de desordem e, por vezes, até de conflito. Essas sociedades estão repletas de pensadores inflexíveis que abraçam o preconceito e rejeitam a dignidade humana. Quando uma nação restringe o pensamento, ela restringe o seu próprio futuro", declarou, sem referir nenhum país em concreto.

"Que a paz seja, em breve, vossa."

Apesar do contexto inédito da presença de Melania Trump no órgão mais poderoso da ONU, analistas têm destacado que o discurso da primeira-dama poderá ser ensombrado por um alegado ataque a uma escola para meninas no sul do Irão, no contexto da ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos em curso contra o Irão, que matou mais de 100 pessoas, segundo as autoridades iranianas.

Os militares israelitas disseram não ter conhecimento de ataques na área e os norte-americanos indicaram estar a investigar as informações.

"A paz não precisa de ser frágil", disse a primeira-dama, na reunião dedicada ao tema "Crianças, tecnologia e educação em conflito".

"A paz duradoura será alcançada quando o conhecimento e a compreensão forem plenamente valorizados em todas as sociedades", acrescentou, frisando que sociedades regidas pelo conhecimento e pela sabedoria são mais pacíficas.

Melania não fez qualquer menção às hostilidades no Médio Oriente, onde milhares de crianças perderam a vida nos últimos anos, incluindo em lugares como Gaza.

Por outro lado, a primeira-dama norte-americana quis expressar as condolências "às famílias que perderam os seus heróis, que sacrificaram as suas vidas pela liberdade". "A sua coragem e dedicação serão sempre lembradas", disse.

Na mesma reunião, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, mencionou a morte de "possivelmente dezenas de crianças" na escola iraniana e observou que as autoridades norte-americanas "estão a investigar" o ocorrido.

"As escolas em Israel, nos Emirados Árabes Unidos, no Qatar, no Bahrein e em Omã fecharam e passaram para o ensino à distância devido às operações militares em curso na região", lamentou DiCarlo.

Melania também não fez menção direta à situação das crianças em outros conflitos, como as guerras em curso na Ucrânia ou no Sudão, entre outras.

A presidência rotativa do Conselho de Segurança tem a prerrogativa de escolher o tema e os participantes de algumas reuniões, sendo que em março o órgão é presidido pelos EUA.

Pouco antes do início da sessão com Melania Trump, o embaixador do Irão na ONU, Amir Saeid Iravani, considerou "profundamente vergonhoso e hipócrita" que os Estados Unidos convocassem uma reunião sobre a proteção de crianças durante conflitos enquanto realizavam ataques aéreos contra cidades iranianas.

"Para os Estados Unidos, 'proteger as crianças' e 'manter a paz e a segurança internacionais' significam claramente algo muito diferente do que prevê a Carta da ONU", disse o diplomata aos jornalistas.

A primeira-dama chegou à sede da ONU, em Nova Iorque, com uma comitiva e foi recebida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

Melania Trump cumprimentou cada um dos 15 membros do Conselho de Segurança e posou para uma fotografia de grupo antes do arranque da sessão.

A presença da primeira-dama surge também num momento de relações tensas entre os Estados Unidos e a ONU.

Donald Trump criticou a ONU em diversas ocasiões, retirou os Estados Unidos de importantes organizações das Nações Unidas, incluindo a Organização Mundial da Saúde e a UNESCO, além de ter cortado o financiamento de dezenas de outras.

Washington também deixou de pagar totalmente as suas contribuições obrigatórias e deve milhares de milhões de dólares às Nações Unidas. Isso gerou uma crise financeira na ONU, com Guterres a alertar no final de janeiro que a organização que lidera enfrentava um "colapso financeiro iminente".

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