El Niño pode regressar já nos próximos meses, alerta Organização Meteorológica Mundial
03 mar, 2026 - 10:31 • Olímpia Mairos , com Lusa
Probabilidade de formação do fenómeno climático sobe para 40% entre maio e julho.
A Organização Meteorológica Mundial admite a possibilidade de regresso do fenómeno climático El Niño entre maio e julho, alertando para uma probabilidade crescente de formação do evento nos próximos meses.
De acordo com o mais recente boletim trimestral, o atual episódio de La Niña, de fraca intensidade, deverá evoluir para condições neutras antes de uma eventual transição para um novo episódio de aquecimento no Pacífico equatorial.
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As previsões dos centros climáticos globais indicam que as condições neutras deverão manter-se até julho, com uma probabilidade estimada em 60% para o período de maio a julho. Já a hipótese de desenvolvimento de El Niño aumentou para cerca de 40%.
A organização sublinha, contudo, que a incerteza das previsões aumenta a longo prazo.
Também a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA tinha já apontado, em janeiro, para uma probabilidade entre 50% e 60% de formação de El Niño entre julho e setembro.
“A comunidade da OMM vai acompanhar de perto a evolução da situação nos próximos meses, para apoiar a tomada de decisões”, afirmou a secretária-geral da organização, Celeste Saulo.
O último episódio de El Niño (2023/24) foi um dos cinco mais intensos alguma vez registados e desempenhou um papel relevante nos recordes globais de temperatura observados em 2024.
O fenómeno caracteriza-se pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico central e oriental, associado a alterações nos ventos, na pressão atmosférica e nos padrões de precipitação. Regra geral, os seus efeitos são opostos aos da La Niña.
Para o período entre março e maio, a OMM antecipa um aumento generalizado das temperaturas à superfície em todo o mundo. Quanto à precipitação, o padrão esperado assemelha-se ao típico de La Niña no Pacífico equatorial, embora noutras regiões o sinal seja mais incerto.
A organização recorda ainda que El Niño e La Niña ocorrem num contexto de alterações climáticas provocadas pela atividade humana, que estão a elevar as temperaturas globais, intensificar fenómenos extremos e alterar os padrões sazonais de precipitação e temperatura.
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