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"Erro grave" de Trump. "Um Presidente dos EUA nunca diz quanto tempo durará a guerra"

03 mar, 2026 - 00:01 • Fátima Casanova

O major-general João Vieira Borges considera "compreensível" a posição da Europa sobre os ataques ao Irão, um aliado da Rússia na guerra contra a Ucrânia.

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O major-general João Vieira Borges considera que a capacidade militar do Irão foi subestimada, “inclusivamente após o ataque em junho, que na altura foi dirigido para as centrais nucleares”, e considera que o Presidente norte-americano, Donald Trump, errou ao definir um prazo para a atual operação Fúria Épica.

Em declarações à Renascença, o militar sublinha que “Israel já tinha informações sobre a grande capacidade de misseis balísticos do Irão”.

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Quanto à resposta militar do Irão, este especialista considera que, face às ameaças do Presidente norte-americano, os ataques de Teerão “podem ser vistos como uma resposta legitima de autodefesa”.

João Vieira Borges destaca, no entanto, que “o problema é o Irão estar a atacar países que não têm bases, o problema são os ataques a outros alvos, que não instalações militares. Isso tem-se verificado, designadamente na Arábia Saudita, a nível de uma petrolífera, e no Qatar, ao nível do gás liquefeito”. Considera, por isso, que as autoridades iranianas “estenderam a legitimidade para outras áreas, o que será muito complicado no pós-guerra para o Irão, na relação com esses países”.

Este militar destaca ainda “a coragem do governo do Irão de atacar os Estados árabes, acentuando o conflito tradicional entre sunitas e xiitas”.

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Questionado sobre o poderio militar do Irão e se tem capacidade para manter os ataques, João Vieira Borges diz que as autoridades iranianas têm calculado o ritmo dos ataques, em função das informações dadas por Donald Trump, que “nunca deveria dizer que a guerra vai durar quatro semanas, nem cinco, nem três”.

Sublinha que “um Presidente dos Estados Unidos em guerra nunca diz quanto tempo durará a guerra. Ao dizer que são quatro semanas é um erro grave, de tal maneira que esta segunda-feira já corrigiu o discurso”.

Para o major-general, “tendo em conta que é uma guerra limitada em termos de tempo, o Irão pode fazer a gestão dos recursos, misseis balísticos, misseis de cruzeiro e drones, que são a grande arma para atacar os países que estão mais próximos, dado que não têm alcance para atacar outros alvos dos Estados Unidos".

João Vieira Borges acredita que o Irão “vai fazer essa gestão e certamente, que decorridas “quatro ou cinco semanas, vai manter o seu potencial militar dissuasor”.

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João Vieira Borges defende que os Estados Unidos e Israel têm de mudar de estratégia, porque “será muito complicado gerir expectativas de queda de um regime, quando os Estados Unidos e Israel não têm tropas no terreno”.

Este especialista considera que “o poder aéreo, por si, não resolve as questões fundamentais”. João Vieira Borges lembra que o principal objetivo político “era alterar o regime e impedir o acesso a armas nucleares”. Antecipa que estes “ataques serão cíclicos”, porque “há seis meses já tinham destruído tudo e afinal voltaram à guerra e daqui a seis meses voltarão novamente”. Essa lógica só pode ser travada com “alterações profundas na estratégia”.

Posição "compreensível" da UE após quatro anos de guerra na Ucrânia

O major-general João Vieira Borges defende que, tendo em conta a atual conjuntura internacional, “a posição da Europa é compreensível”.

Este especialista lembra “que a Europa está a ser atacada pela Rússia, que é apoiada pelo Irão com os drones Shahed, que têm um grande poder de destruição”.

Considera, por isso, que a “Europa numa primeira linha responde àquilo que é a reação do inimigo, que neste caso é o Irão”, e desenvolve explicando que “é o inimigo militar e o inimigo dos valores da Europa, designadamente na repressão à sua população e nas questões de direitos humanos”.

Na leitura de João Vieira Borges, a Europa “contornou o discurso no sentido de pressionar para aquilo que são os seus interesses, o que é compreensível depois de quatro anos de guerra na Ucrânia”.

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