Guerra com o Irão
Iraniana no Porto: "A democracia não se pode impor pelas bombas"
03 mar, 2026 - 11:16 • Hugo Monteiro
Uma estudante iraniana da Universidade do Porto conta à Renascença como a família está a sair de Teerão por causa dos bombardeamentos. A mais de 6 mil quilómetros de distância, questiona: "o que posso fazer?".
Chama-se Azad, é iraniana tem 40 anos e estuda na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. No Irão continuam os pais e a irmã. Nas últimas horas conseguiu, finalmente, falar com a família e percebeu que os pais "tiveram de sair de Teerão, porque o bairro onde viviam foi bombardeado".
Regressaram "à sua pequena cidade natal", Bijar, na província do Curdistão, mas também aí "a casa deles foi destruída nos bombardeamentos". Agora, a família "não tem onde morar". Já a irmã "ainda mora em Teerão", mas "está a pensar em sair de lá, porque a situação está cada vez pior". "Está a tentar encontrar um lugar seguro para onde ir".
Nestas declarações à Renascença, conta que, no Irão, "as pessoas estão com muito medo, em pânico". "O que vejo na comunicação social é apenas uma pequena parte da tragédia que está a acontecer. Teerão é uma cidade densamente povoada. Tem uma população de 10 milhões de habitantes. Acho que não é difícil imaginar o que está a acontecer", descreve Azad.
A estudante antecipa que "se tudo continuar assim", se os ataques continuarem, "será uma tragédia enorme".
Para quem está fora do país, a situação é igualmente difícil: "Somos quase oito milhões de iranianos na diáspora e é realmente terrível. Não se sabe se a família está viva ou morta. Ainda ontem acordei, abri os olhos e li nas notícias que determinada cidade tinha sido bombardeada e o que é que posso fazer?".
A estudante de arquitetura não acredita que a população iraniana reconheça esta operação norte-americana e israelita como um passo para a implementação de um regime democrático no país, porque, diz, "a democracia não é algo que se possa importar ou impor através de bombardeamentos ou guerras".
Azad acredita que "a democracia é algo muito local", que "as pessoas têm de a construir, ao longo de um período, passo a passo, com base na sua cultura, geografia, história e necessidades".
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