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Busto de Cristo em basílica de Roma atribuído a Miguel Ângelo

05 mar, 2026 - 10:05 • Olímpia Mairos , com Reuters

Investigação baseada em documentos de arquivo levou à redescoberta da autoria da escultura que representa Cristo Salvador.

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Um busto de mármore guardado durante séculos numa basílica de Roma voltou a ser atribuído a Miguel Ângelo, depois de quase dois séculos sem autor conhecido, na sequência de uma investigação documental.

A escultura, que representa Cristo Salvador, encontra-se na Basílica de Santa Inês Fora-dos-Muros, na antiga Via Nomentana, e foi preservada ao longo do tempo pela ordem católica dos Cónegos Regulares Lateranenses.

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Originalmente atribuída a Miguel Ângelo até ao início do século XIX, a obra perdeu posteriormente essa associação e permaneceu sem autor identificado até hoje.

A investigadora italiana Valentina Salerno, membro do comité do Vaticano para as comemorações dos 500 anos do nascimento de Michelangelo, reatribuiu a escultura ao mestre toscano após uma década de investigação em arquivos históricos.

“Vivemos aqui desde 1412, e o complexo monumental de Sant'Agnese sempre reserva surpresas — esta é uma delas”, afirmou Franco Bergamin, da Ordem dos Cónegos Regulares Lateranenses, durante uma conferência de imprensa, citada pela Reuters.

Investigação baseada em documentos

A investigação de Salerno assenta sobretudo em fontes documentais e não apenas na análise estilística da escultura.

A investigadora analisou registos notariais, inventários póstumos e correspondência indireta relacionada com os últimos anos de Miguel Ângelo em Roma.

“Não sou historiadora de arte — na verdade, nem sequer tenho um diploma universitário — mas a força da minha investigação reside na sua dependência de documentos arquivísticos públicos”, explicou, descrevendo-se como uma investigadora independente.

Uma sala trancada com várias chaves

Os documentos analisados contestam a ideia de que Miguel Ângelo destruiu sistematicamente as suas obras no final da vida. Segundo as fontes, desenhos, estudos e algumas esculturas de mármore foram cuidadosamente transferidos dentro de um círculo restrito após a morte do artista.

“Com a morte de Miguel Ângelo, muitos governantes poderosos teriam querido reivindicar algo do mestre. Mas o artista planeou cuidadosamente a transferência do material para que a sua arte pudesse ser passada aos seus alunos e às gerações futuras”, disse Salerno.

Um dos documentos refere-se a uma sala trancada acessível apenas com várias chaves, criada para proteger materiais valiosos. Embora tenha sido posteriormente esvaziada, os conteúdos podem ser rastreados através de transferências posteriores.

Segundo a investigação, algumas obras não atribuídas foram discretamente transferidas para instituições religiosas, onde permaneceram integradas em espaços funcionais em vez de entrarem no mercado de arte.

Escultura agora protegida

O busto da Basílica de Santa Inês parece fazer parte desse processo. Integrada há muito tempo no espaço litúrgico do templo, a escultura foi preservada num edifício marcado por séculos de renovações e acréscimos.

A peça encontra-se agora num altar de uma capela lateral da basílica e está protegida por um sistema de alarme.

Os dados reunidos pela investigação deverão servir de base para um processo de atribuição mais amplo, que pretende identificar outras obras esquecidas possivelmente ligadas a Miguel Ângelo e apresentar as conclusões à comunidade académica internacional.

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