Ouvir
  • Noticiário das 5h
  • 16 abr, 2026
A+ / A-

Operação Fúria Épica

Irão. Da morte de Khamenei à crise global em sete dias

07 mar, 2026 - 09:00 • Fábio Monteiro

Explosões em Teerão abriram a madrugada de 28 de fevereiro e marcaram o início de uma semana de escalada militar no Médio Oriente. Ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irão desencadeou retaliações, confrontos regionais e uma sucessão de declarações políticas. Nos dias seguintes, a confirmação da morte do líder supremo Ali Khamenei tornou-se o momento mais marcante de um conflito que rapidamente ganhou dimensão internacional.

A+ / A-

Pode parecer que já foi há muito tempo, tendo em conta o fluxo de alertas de última hora, mas não. Foi apenas há uma semana que os Estados Unidos da América e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irão – e decapitaram a liderança do país.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.

O futuro do Irão é uma incógnita. Se o conflito irá durar mais do que o previsto inicialmente (quatro semanas) também ninguém sabe dizer. Não faltam já, todavia, consequências políticas (tensão com Espanha) e económicas (aumento de preços da gasolina). Muito aconteceu nos últimos sete dias.

Ver Mais

28 de fevereiro. Noite de ataques, dia de retaliações e no Irão

A operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão começou às 1h15 da madrugada de 28 de fevereiro, um sábado que entrou diretamente para os livros de história. Por volta dessa hora, foram registadas várias explosões em Teerão e noutras cidades iranianas.

O primeiro-ministro israelita foi o primeiro a falar publicamente. Defendeu a operação militar, classificando o regime iraniano como uma ameaça direta. “Não se deve, em caso algum, permitir que este regime terrorista assassino adquira armas nucleares, o que lhe daria os meios para ameaçar toda a humanidade”, disse Benjamin Netanyahu.

Pouco depois dos primeiros ataques dos EUA e Israel, a Guarda Revolucionária iraniana respondeu militarmente. Sirenes antiaéreas foram acionadas em Jerusalém e em várias zonas do centro de Israel.

A escalada militar começou rapidamente a ter impacto na aviação internacional. O Irão anunciou o encerramento total do seu espaço aéreo.

Os espaços aéreos dos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Iraque, Qatar e Israel foram encerrados, levando companhias aéreas internacionais a suspender voos para a região ou a alterar rotas.

Durante a tarde, o Presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou a dimensão da operação militar. “Grandes operações de combate no Irão estão em curso para garantir que Teerão não obtém armas nucleares”, afirmou Donald Trump.

Já ao início da noite surgiram novas declarações israelitas sobre os resultados dos ataques. Benjamin Netanyahu afirmou existirem sinais de que o líder supremo iraniano poderia ter sido morto. “Há muitos sinais de que Khamenei, o ditador, não existe mais”, disse Netanyahu, acrescentando que os ataques destruíram o complexo residencial do líder iraniano.

Pouco depois, numa entrevista televisiva, Donald Trump afirmou que a liderança iraniana tinha sido atingida pelos ataques. “Sentimos que essa é a versão correta”, disse Donald Trump à NBC quando questionado sobre a possível morte de Ali Khamenei.

As autoridades iranianas rejeitaram essas informações, classificando-as como parte de uma campanha de desinformação. “O inimigo está a apoiar-se numa guerra psicológica, devemos ter perceção disso”, afirmou um responsável do gabinete do líder supremo.

Também no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral António Guterres indicou não estar em posição de confirmar a morte de Khamenei.

40 anos de Khamenei. O poder absoluto e a luta eterna contra o Ocidente
40 anos de Khamenei. O poder absoluto e a luta eterna contra o Ocidente

1 de março. Morte de Khamenei confirmada

A morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, foi confirmada na madrugada de domingo pela televisão estatal iraniana, após várias horas de especulação alimentada por declarações de responsáveis israelitas e norte-americanos.

O aiatolá morreu no início de sábado no seu escritório, durante ataques conduzidos pelos Estados Unidos, que também provocaram a morte da sua filha, do neto, do genro e da nora. Ali Khamenei tinha 86 anos e liderava o Irão desde 1989, quando sucedeu a Ruhollah Khomeini após a morte do fundador da República Islâmica.

Horas depois da confirmação, as autoridades iranianas anunciaram também que vários dirigentes militares tinham também sido mortos nos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel.

Entre as vítimas encontravam-se o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Moussavi, o ministro da Defesa, o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, e Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo.

Segundo a televisão estatal, estes responsáveis foram mortos “durante uma reunião do Conselho de Defesa” realizada no momento em que ocorreram os ataques.

Ao longo do dia, as repercussões do conflito estenderam-se para fora do Irão. Em Carachi, no Paquistão, pelo menos oito pessoas morreram em confrontos com a polícia, quando centenas de manifestantes tentaram invadir o consulado dos Estados Unidos.

Ainda durante a tarde, um míssil atingiu uma escola na cidade de Minab, no sul do país, provocando pelo menos 148 mortos e mais de 90 feridos. O regime iraniano responsabilizou os Estados Unidos e Israel pelo ataque, ocorrido perto de uma base do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Nenhum dos países assumiu a autoria.

2 de março. Da madrugada em Chipre ao aviso de Trump

Um ataque com drones contra uma base aérea britânica em Chipre marcou a madrugada. O incidente ocorreu na base da Royal Air Force (RAF) em Akrotiri, território britânico no Mediterrâneo Oriental. Não foram registadas vítimas.

A base de Akrotiri é a maior instalação militar britânica na região e recebeu, recentemente, reforços de defesa, incluindo sistemas antiaéreos, antidrones, radares e aviões F-35.

O Governo britânico confirmou que autorizou os Estados Unidos a utilizar bases militares britânicas para atingir locais de mísseis iranianos, embora Londres tenha indicado que não participaria em ações ofensivas no Irão.

Horas depois, a União Europeia manifestou preocupação com o agravamento da situação. “Reiteramos o nosso firme compromisso com a salvaguarda da segurança e da estabilidade regionais”, afirmaram Ursula von der Leyen e António Costa numa declaração conjunta.

Durante a tarde, o impacto do conflito foi sublinhado pelo Presidente da Ucrânia. “É claro que esta questão nos preocupa”, disse Volodymyr Zelensky, acrescentando que uma guerra prolongada pode afetar os sistemas de defesa aérea disponíveis para a Ucrânia.

Ao final do dia, numa entrevista à CNN, Donald Trump indicou que a operação militar contra o Irão poderia intensificar-se nos dias seguintes. “Não quero que se prolongue demasiado. Sempre pensei que seriam quatro semanas”, disse Donald Trump.

3 de março. Explosão em Riade e ameaças de Trump a Espanha

Uma explosão atingiu durante a madrugada a embaixada dos Estados Unidos em Riade, capital da Arábia Saudita.

Segundo o Ministério da Defesa saudita, dois drones atingiram a representação diplomática norte-americana, causando um incêndio confinado e pequenos danos materiais. O complexo estava vazio no momento do ataque.

Horas depois, Benjamin Netanyahu garantiu que a operação militar não se prolongaria indefinidamente. “Não haverá uma guerra sem fim”, afirmou Benjamin Netanyahu à Fox News.

Durante a madrugada, o conflito ganhou uma nova dimensão regional com a entrada de soldados israelitas no Líbano, após o Hezbollah anunciar que se juntava ao conflito ao lado do Irão. Bombardeamentos israelitas nos arredores de Beirute e no sul do Líbano provocaram pelo menos 31 mortos e 149 feridos.

Ao final da tarde, Donald Trump voltou a pronunciar-se sobre a ofensiva. “Praticamente tudo foi neutralizado”, afirmou Donald Trump, acrescentando que “o Irão está a ser dizimado”.

Durante a mesma conferência de imprensa, criticou também a posição de alguns aliados europeus – em particular Espanha, que recusou que as suas bases militares fossem utilizadas na ofensiva.

“Não precisamos de Espanha. Posso parar o comércio com Espanha”, afirmou Donald Trump.

4 de março. Combates aéreos e ataques navais

Surgem novos detalhes sobre a preparação da operação militar contra o Irão. Segundo o “Financial Times”, Israel teve acesso às câmaras de vigilância de trânsito em Teerão, o que permitiu vigiar a residência oficial de Khamenei e mapear os movimentos da sua equipa de segurança.

A operação contou também com informação recolhida pela CIA, que sabia antecipadamente onde estaria o líder iraniano no dia do ataque. “Conhecemos Teerão como conhecemos Jerusalém”, disse uma fonte dos serviços de informação israelitas ao “Financial Times”.

No mesmo dia, o secretário da Guerra norte-americano anunciou que as forças dos Estados Unidos tinham matado um comandante iraniano ligado a um plano para assassinar Donald Trump.

“O líder da unidade que tentou assassinar o Presidente Trump foi localizado e morto”, afirmou Pete Hegseth.

No plano militar, registaram-se episódios inéditos. As Forças de Defesa de Israel anunciaram que um caça F-35 israelita abateu sobre Teerão um jato iraniano Yak-130 durante um combate aéreo.

No mar, a Marinha norte-americana afundou um navio de guerra iraniano ao largo do Sri Lanka. “Pensava estar seguro em águas internacionais, mas foi afundado por um torpedo”, disse Pete Hegseth.

5 de março. Ondas de choque globais

Impactos do conflito chegam à Ásia. O Governo chinês pediu às maiores refinarias do país para suspender temporariamente as exportações de gasolina e gasóleo.

Ao mesmo tempo, o conflito começou a produzir efeitos humanitários na região. Em Beirute, milhares de pessoas deslocadas chegaram à capital libanesa após fugirem do sul do país.

Durante a tarde, a crise ganhou também dimensão política internacional. “Seria inaceitável”, afirmou Donald Trump, citado pelo site Axios, referindo-se à possibilidade de Mojtaba Khamenei assumir o cargo.

Ao final do dia, o Governo português lançou uma operação para retirar cidadãos da região, envolvendo um avião C-130 da Força Aérea Portuguesa e um Airbus A330 fretado à TAP.

Como um português atravessou o Irão para fugir da guerra
Como um português atravessou o Irão para fugir da guerra

6 de março. Regressos e avisos

Um alerta vindo do Golfo Pérsico marcou o início do dia. O Qatar avisou que as exportações de energia da região podem parar nas próximas semanas se a guerra continuar.

Em Portugal, o impacto do conflito começou também a refletir-se nos combustíveis. A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis anunciou aumentos a partir da semana seguinte.

O dia começou igualmente com a chegada de novos repatriados. Às 5h00 aterrava em Lisboa um avião militar C-130 com 39 passageiros, incluindo 24 portugueses que tinham saído de Israel através do Egito.

Horas depois, o avião fretado à TAP aterrou na base aérea de Figo Maduro com 147 passageiros.

Durante a tarde, o conflito voltou a dominar a agenda política europeia. Estamos ao lado dos Estados Unidos da América”, afirmou Luís Montenegro.

Apesar disso, o primeiro-ministro português criticou implicitamente as ameaças feitas por Washington a Espanha. “O caminho da ameaça ou da acusação não é o caminho correto”, disse Luís Montenegro.

Na mesma conferência de imprensa, Pedro Sánchez voltou a condenar a ofensiva militar. “Esta guerra é um erro extraordinário, que vamos pagar e já estamos a pagar”, afirmou Pedro Sánchez.

Ouvir
  • Noticiário das 5h
  • 16 abr, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque