Presidente do Irão pede desculpa aos países vizinhos por ataques na última semana
07 mar, 2026 - 08:38 • João Carlos Malta
Teerão diz que não voltará a atacar outros países, a menos que seja atacado em primeiro lugar. Isto numa altura em que o conflito entra na segunda semana.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acaba de transmitir uma mensagem em vídeo na televisão estatal iraniana, em que pede desculpa aos países vizinhos na região pelos ataques que o país fez na última semana em resposta aos bombardeamentos dos EUA e Israel.
Na mesma mensagem, Pezeshkian rejeitou em absoluto a rendição incondicional pedida pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
"Considero necessário pedir desculpas aos países vizinhos que foram atacados", disse Pezeshkian. "Não temos a intenção de invadir os países vizinhos", afirmou, apelando à cooperação regional para "estabelecer a paz e a tranquilidade", acrescentou.
Pezeshkian acrescentou que foi emitida uma ordem de liderança às Forças Armadas: "A partir de agora, não ataquem os países vizinhos a menos que sejam atacados primeiro".
"Aqueles que consideram explorar este momento para atacar o Irão não devem tornar-se fantoches do imperialismo", disse o presidente iraniano.
O líder iraniano acrescentou também que apoiar Israel ou os EUA "não é um caminho para a honra e a liberdade".
Na última semana, o Irão disparou mísseis que caíram na Jordânia, Iraque, Turquia, Arábia Saudita, Catar, Bahrai, Dubai, entre outros locais na região.
Médio Oriente
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A antigo ministro da Defesa, Azeredo Lopes, em declarações à Renascença, pensa que "o Irão, neste momento, começa a perceber que o efeito que pretendia com o ataque indiscriminado a todos os países do Golfo, começa a custar-lhe caro".
"Se no início eu considero que este foi um erro estratégico, o Irão esclarece depois que o faz porque a partir destes países, e nomeadamente a partir de bases norte-americanas, são lançados ataques contra o território iraniano. E, portanto, o Irão, não totalmente sem razão, diz que estes países assumem a função de beligerância, uma vez que autorizam que, a partir do seu território, seja atacado outro Estado", descreve Azeredo Lopes.
No entanto, o mesmo especialista nota uma incongruência a Teerão. "O Irão não atacou só alvos militares. Não sei se isso se deve exclusivamente à falta de precisão, ou dos drones, ou dos mísseis iranianos, mas parece-me que, a partir de certa altura, o Irão começou a alienar completamente o apoio que ainda podia contar junto daqueles países, apoio implícito que fosse, e também há outra consequência que, porventura, o Irão não antecipou".
"É que, mesmo dentro dos BRICS, de que são membros, por exemplo, dos Emirados e Arábia Saudita, esse apoio começou a virar-se contra o Irão e a incidir, sobretudo, sobre os estados-alvos destes ataques", rematou Azeredo Lopes.
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