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Europa

Costa vs. Von der Leyen. Europa deve mudar ou é "trunfo" num mundo polarizado?

10 mar, 2026 - 12:04 • Daniela Espírito Santo , Sérgio Costa

Líderes europeus em aparente contradição: enquanto o presidente do Conselho Europeu afirma que a Europa deve defender as regras com base na atual ordem internacional, a presidente da Comissão sublinha a necessidade da Europa estar preparada para projetar o poder de forma mais assertiva. Que visão da Europa vai prevalecer?

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Costa e Von der Leyen divididos sobre "fim da ordem mundial" depois de ataques ao Irão
Veja o vídeo: Costa e Von der Leyen divididos sobre "fim da ordem mundial" depois de ataques ao Irão

Que papel deve assumir a Europa na geopolítica atual numa altura em que a ordem internacional como a conhecemos, baseada em regras, parece estar a desmoronar-se? Haverá uma aparente contradição entre António Costa e Ursula von der Leyen na resposta a esta pergunta.

Esta terça-feira, o presidente do Conselho Europeu defendeu em Bruxelas que a visão global da Europa é um "trunfo estratégico" num mundo fragmentado e polarizado e que, perante uma "nova realidade", é preciso "defender a ordem internacional baseada em regras". "Os europeus devem defender os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, delineados nos nossos tratados", assume Costa, responsável por representar a União Europeia em matérias de política externa e de segurança.

"Conhecemos a nova realidade: uma realidade em que a Rússia viola a paz, a China perturba o comércio e os EUA desafiam a ordem internacional baseada em regras", diz Costa, para quem as violações do direito internacional e dos direitos humanos "não podem ser toleradas", seja onde for e por quem for.

Para o português, a Europa deve defender as regras com base na atual ordem internacional, declarações que irão em sentido contrário de recentes palavras da presidente da Comissão que, nas últimas horas, fez declarações sobre a política externa europeia. Num discurso que gerou debate no seio da Europa, Ursula von der Leyen defendeu que é preciso uma mudança no posicionamento geopolítico da Europa, que não pode continuar a ser a "guardiã" de uma ordem global que chegou ao fim, em nome da proteção dos seus próprios interesses. A conservadora alemã, eleita em 2019, sublinhou o que diz ser a necessidade da Europa estar preparada para projetar o poder de forma mais assertiva, para combater a agressão e a interferência estrangeira, com todos os meios disponíveis.

"Não devemos chorar pelo regime iraniano" vs. "Direitos humanos não podem ser alcançados com bombas"

"A mensagem é clara: a paz e a segurança na Europa dependem de nós e estamos a assumir total responsabilidade por isso", defendeu Von der Leyen, que salienta que as ameaças que a União Europeia enfrenta "vêm de todas as direções e de todos os domínios", o que exige uma "abordagem verdadeiramente abrangente" da segurança. "O mundo à nossa volta está a mudar a uma velocidade incrível e, agora, a Europa também está a mudar", reiterou Von der Leyen, em aparente contradição com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que parece ter outra visão sobre a campanha de ataques ao Irão iniciada pelos EUA e Israel, a 28 de fevereiro.

"As violações do direito internacional não devem ser aceites, nem na Ucrânia, Gronelândia, América Latina, África, Gaza, nem no Médio Oriente. As violações dos direitos humanos não devem ser toleradas, nem no Irão, nem no Sudão, nem no Afeganistão", repetiu. Por sua vez, Von der Leyen tinha dito, no mesmo fórum, horas antes, que este não era o momento da Europa estar preocupada com violações do direito internacional. "Não devemos chorar pelo regime iraniano", salientou.

Em aparente resposta, e depois das declarações da alemã terem gerado críticas entre alguns Estados-membros, Costa diz, esta terça-feira, que "a liberdade e os direitos humanos não podem ser alcançados com bombas". "Só o direito internacional os defende. Proteger os civis, garantir a segurança nuclear e respeitar o direito internacional é crucial".

"A guerra no Médio Oriente é de extrema importância. O Irão é responsável pelas causas profundas desta situação. Mas o unilateralismo nunca pode ser o caminho a seguir. Este mundo multipolar requer soluções multilaterais, não esferas de influência onde a política de poder substitui o direito internacional", defende o antigo primeiro-ministro português, que acredita ser do interesse da Europa "garantir que o mundo se mantém baseado em regras e cooperativo".

"É do nosso interesse evitar uma maior fragmentação global. Esta é a melhor forma de ajudar a Ucrânia a alcançar uma paz justa e duradoura. É essencial para a segurança e prosperidade da Europa", remata o português.

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