Agência Internacional de Energia liberta maior stock de reservas de petróleo de sempre
11 mar, 2026 - 14:24 • Daniela Espírito Santo
Ao todo, serão disponibilizados 400 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência dos 32 países-membros da AIE. Portugal, que também faz parte, vai libertar dois milhões de barris.
O G7 pediu e a Agência Internacional de Energia aprovou. Os 32 países-membros da AIE, o organismo que implementa o programa internacional de energia, concordaram, esta quarta-feira, em disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo das suas reservas de emergência. Trata-se da sexta vez que este organismo faz uma libertação coordenada de petróleo na sua história e é a maior libertação de stock de reservas estratégicas de sempre.
O anúncio foi feito esta quarta-feira pela própria AIE mas a decisão foi tomada ainda na terça-feira, na sequência de um pedido feito pelos líderes do G7.
O G7 (as economias mais avançadas do planeta) é, atualmente, liderado pela França, mas é composto também pelos EUA, Canadá, Japão, Alemanha, Itália, Reino Unido e União Europeia. Esta terça-feira, em Bruxelas, os ministros do G7 pediram à Agência Internacional de Energia para avaliar a possibilidade de libertar reservas estratégicas para fazer frente ao aumento do preço do petróleo resultante do conflito no Médio Oriente.
Em resposta, a AIE decidiu-se por uma "ação coletiva de emergência", tomada numa reunião extraordinária dos governos-membros convocada para o próprio dia e aprovada por unanimidade. Já esta quarta, e em comunicado, a Agência, organismo autónomo da OCDE, admitiu que esta era a decisão certa para "enfrentar as perturbações nos mercados petrolíferos", agastados desde o início dos ataques dos EUA e Israel ao Irão, a 28 de fevereiro.
Segundo o diretor executivo, o mercado enfrenta desafios de uma "escala sem precedentes", pelo que se impunha uma "ação coletiva de emergência de dimensão sem precedentes".
"O conflito no Médio Oriente dificultou o fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz, com volumes de exportação de crude e produtos refinados atualmente inferiores a 10% dos níveis pré-conflito", explica o responsável da AIE, Fatih Birol.
"Os mercados petrolíferos são globais, por isso a resposta a grandes perturbações também tem de ser global", ressalva Birol, no mesmo comunicado, que salienta o quão histórica é, igualmente, a tomada de "medidas decisivas em conjunto" de forma tão unânime no seio da agência.
Energia
Portugal liberta 2 milhões de barris das suas reservas de petróleo
Valor representa 10 por cento das reservas estraté(...)
Portugal liberta dois milhões de barris
Portugal, que também pertence à AIE, vai libertar dois milhões de barris de petróleo das suas reservas neste contexto. A decisão foi revelada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, e citada pelo Jornal de Negócios, esta quarta-feira.
De acordo com o jornal, o país vai libertar dois milhões de barris de petróleo das suas reservas, o que equivale a dez por cento do armazenado e representa cerca de 275 mil toneladas de produtos petrolíferos e derivados.
Ao todo, a AIE tem stocks de emergência "superiores a 1,2 mil milhões de barris", com mais 600 milhões reservados "sob obrigação governamental". O organismo foi criado em 1974 e, desde então, efetuou libertações de stock similares em 1991, 2005, 2011 e duas vezes em 2022.
Como é que se vai processar esta libertação de stocks? Segundo o comunicado, os stocks de emergência vão ser disponibilizados ao mercados "num período adequado às circunstâncias de cada país-membro" e serão complementados por "medidas de emergência adicionais por parte de alguns países".
[Notícia atualizada às 15h29 de 11 de março de 2026 para acrescentar informações sobre a participação de Portugal nesta decisão]
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