Energia
Bruxelas aposta no nuclear para reforçar segurança energética. Especialistas dividem-se
11 mar, 2026 - 12:50 • Olímpia Mairos , com redação
Investimento europeu em novas tecnologias nucleares reacende debate entre especialistas sobre segurança, resíduos e papel desta energia no futuro da Europa.
A Comissão Europeia quer reforçar a aposta na energia nuclear para aumentar a independência energética da União Europeia, ao mesmo tempo que recomenda aos Estados-membros a redução de impostos e taxas sobre a eletricidade para aliviar a fatura da luz de famílias e empresas.
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As duas medidas integram o pacote energético apresentado por Bruxelas para acelerar a transição energética e reforçar a segurança do abastecimento. No âmbito desta estratégia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou 200 milhões de euros para investimento privado em tecnologias nucleares inovadoras
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Para o presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, Bruno Gonçalves, a União Europeia demorou demasiado tempo a apostar neste tipo de energia e os receios associados ao nuclear são muitas vezes exagerados.
“O tipo de central que existia em Chernobyl não é representativo daquilo que são as centrais que existem hoje”, afirma. Segundo o especialista, “aprendeu-se muito com Fukushima” e os reatores atuais apresentam níveis de segurança muito superiores.
Bruno Gonçalves explica que “os reatores de nova geração são muito mais seguros, até mesmo em termos de sistemas de segurança passivos, que não precisam de eletricidade nem de geradores auxiliares em caso de paragem, para garantir que operam da forma o mais segura possível”.
Nem todos partilham esta visão. O investigador Viriato Soromenho Marques considera que continuam por resolver dois problemas centrais associados à energia nuclear.
“O primeiro é justamente a questão dos acidentes nas centrais nucleares. Essa questão não está resolvida”, afirma. O especialista aponta também dificuldades na gestão dos resíduos radioativos.
“O segundo é a questão do tratamento dos resíduos finais. Não estou apenas a falar dos resíduos operacionais de funcionamento das centrais nucleares. Estou a falar também das próprias centrais nucleares, ou seja, do esqueleto de uma central nuclear que fica depois de ser desativada”, acrescenta.
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Bruxelas quer também baixar a fatura da luz
No mesmo pacote de medidas, a Comissão Europeia recomenda aos Estados-membros que reduzam impostos e taxas associados à eletricidade, lembrando que estes encargos representam uma parte significativa da fatura.
Segundo Bruxelas, cerca de 25% do valor pago pelas famílias na conta da eletricidade corresponde a impostos e taxas, percentagem que é de 15% no caso das empresas.
A Comissão sugere a redução de encargos que não estejam diretamente ligados ao consumo de eletricidade, como a chamada “taxa para o audiovisual”, bem como a possibilidade de diminuir as taxas mínimas de impostos especiais de consumo e o IVA sobre a eletricidade.
De acordo com o executivo comunitário, estas medidas podem reduzir a fatura dos consumidores até 14%, o equivalente a cerca de 200 euros por ano, em média.
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