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Saúde

IA está a ajudar cientistas a descobrir novos medicamentos contra Parkinson e superbactérias

11 mar, 2026 - 22:05 • Diogo Camilo

Equipa do MIT está a usar inteligência artificial para desenhar antibióticos capazes de combater a bactéria que causa gonorreia. Em Cambridge, uma investigação usou modelos de machine learning para acelerar procura por tratamentos que estabilizem a Doença de Parkinson.

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A inteligência artificial (IA) está a ajudar na criação de novos medicamentos contra a Doença de Parkinson, doenças infeciosas raras ou cada vez mais difíceis de curar e algumas bactérias multirresistentes.

A luta contra bactérias é antiga e tem ficado aquém: entre 2017 e 2022, foram aprovados apenas 12 novos antibióticos, com a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar que a investigação está "estagnada" e que há um "grande fosso" na descoberta de novos tratamentos.

Para inverter o cenário, uma equipa do MIT — Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Boston, está a usar inteligência artificial para desenhar antibióticos capazes de combater duas "super bactérias" resistentes a medicamentos: a bactéria que causa gonorreia, a "Neisseria gonorrhoeae" e a "Staphylococcus aureus", conhecida por MRSA.

À BBC, o investigador James Collins explica que "numa questão de dias ou de horas", é possível "analisar enormes bibliotecas" de diferentes moléculas.

Com a ajuda de IA, os cientistas conseguiram criar mais de 36 milhões de compostos diferentes e, a partir daí, tentar encontrar propriedades antimicrobianas em cada um. Destes, foram selecionados 24 candidatos a medicamentos para síntese em laboratório, dos quais sete provaram ter algum tipo de atividade antimicrobiana e dois mostraram ser muito eficazes em matar cadeias das duas bactérias que são resistentes a outros tipos de bactérias.

E a equipa de laboratório liderada por James Collins já descobriu outros dois tratamentos antibacterianos através da inteligência artificial: à espécie Clostridium difficile, uma infeção intestinal comum, e à Mycobacterium tuberculosis, que causa tuberculose.

Em 2024, uma equipa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, também usou modelos de machine learning — uma forma de inteligência artificial — na procura por moléculas capazes de estabilizar proteínas, que têm um papel importante nas fases iniciais da neuro degeneração em pacientes com Parkinson, levando eventualmente a sintomas como tremores, lentidão nos movimentos e rigidez muscular.

"Com a tecnologia podemos analisar os dados e fazer previsões muito precisas sobre como moléculas candidatas se conseguem ligar ao alvo, numa escala que era impensável até alguns anos atrás", refere à BBC a investigadora Michele Vendruscolo. No final de contas, a equipa responsável identificou cinco novos compostos promissores de forma mais rápida e eficaz do que as abordagens convencionais.

Nos últimos anos são cada vez mais as aplicações conhecidas da IA na área da Saúde, desde a digitalização das ferramentas, à criação de plataformas para facilitar a alta médica ou o diagnóstico de AVC e de outras doenças.

Um dos exemplos do uso da IA na criação ou reformulação de medicamentos aconteceu com a Fibrose Pulmonar Idiopática, uma doença pulmonar rara e progressiva, com a inteligência artificial a ajudar a empresa Insilico Medicine a criar modelos para a progressão da doença, com ensaios clínicos a mostrarem resultados animadores.

Outra doença em que a IA mostra progressos é a Síndrome de Rett, uma doença genética rara que causa deficiências cognitivas e físicas e afeta sobretudo bebés meninas, com idades entre os 6 e 18 meses.

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