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Movimento antinuclear denuncia pressões para prolongar operação de Almaraz

11 mar, 2026 - 05:30 • Redação com Lusa

O encerramento de Almaraz “é uma questão de segurança ambiental, de proteção da saúde pública e de responsabilidade para com as populações da Península Ibérica”.

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O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) denuncia, no 15.º aniversário do desastre da central japonesa de Fukushima, a existência de pressões para prolongar o funcionamento da central nuclear de Almaraz, em Espanha.

Em comunicado, o MIA diz acolher “com satisfação” a notícia de que a empresa pública espanhola Enresa lançou o concurso para serviços de engenharia destinados ao desmantelamento de Almaraz.

O plano prevê que as duas unidades da central, localizada na província de Cáceres, junto ao rio Tejo e a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal, deixem de operar até outubro de 2028.

“Apesar disso, continuam a surgir pressões para prolongar o funcionamento da central, adiando uma decisão que é essencial para a segurança das populações e para a proteção do ambiente”, defende o MIA.

Isto apesar da energia nuclear enfrentar “dificuldades crescentes num sistema elétrico cada vez mais dominado por fontes renováveis mais baratas e flexíveis”, acrescenta o movimento.

O MIA recorda que, no início do mês, um dos reatores da central de Almaraz foi temporariamente desligado, na primeira paragem “por razões essencialmente económicas”.

Para Portugal, “representa um risco transfronteiriço que não pode ser ignorado".

Provas de resistência realizadas após o acidente de Fukushima, a pedido da Comissão Europeia, alertou para a falta de planeamento para “o risco de agressões externas, como atentados ou queda de aeronaves”, referiu o MIA.

O movimento demonstrou ainda preocupação com a contaminação radioativa associada às descargas de Almaraz, com os valores de trítio em níveis superiores ao normal no rio Tejo.

De acordo com especialistas, o trítio pode representar um risco de radiação se inalado, ingerido através de alimentos ou água, ou absorvido pela pele, mas só é perigoso em doses concentradas muito elevadas.

O MIA avisou que o risco sísmico “poderá estar subavaliado”, uma vez que as análises consideraram apenas sismos registados desde 1970 e não “eventos sísmicos de grande magnitude”, como o de 1755.

O sismo de 1 de novembro de 1755 terá tido uma magnitude de pelo menos 7,7 na escala de Richter e estimativas históricas apontaram para pelo menos 30 mil mortes em Portugal, sobretudo na capital Lisboa.

O encerramento de Almaraz “é uma questão de segurança ambiental, de proteção da saúde pública e de responsabilidade para com as populações da Península Ibérica”, defendeu o movimento.

O movimento exigiu igualmente “um plano social justo” para os trabalhadores da central, assegurando a reconversão profissional e a criação de empregos “verdes e dignos”, associados à transição energética e à proteção do ambiente.

O MIA é composto por associações ambientalistas e instituições de Portugal e de Espanha. Em Portugal integra cerca de 30 coletivos, entre os quais a Zero e a Quercus.

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