Ormuz. 14 navios já foram danificados desde o início do conflito no Irão
11 mar, 2026 - 13:38 • Daniela Espírito Santo com Lusa e Reuters
Incidentes afetaram navios no Golfo Pérsico, no estreito de Ormuz e no golfo de Omã. Pelo menos sete mortos já foram contabilizados.
Pelo menos três embarcações foram, esta quarta-feira, atingidas por projéteis desconhecidos no Estreito de Ormuz, de acordo com a agência de segurança marítima UKMTO, que vigia a segurança de navios e marinheiros em todo o mundo, sob a tutela do Exército do Reino Unido.
Ao todo, a UKMTO registou 14 incidentes que afetaram navios no Golfo Pérsico, no estreito de Ormuz e no golfo de Omã desde 28 de fevereiro. Destes incidentes, quatro são relatos de "atividade suspeita", como ouvir ou ver explosões, e dez são ataques que atingiram uma embarcação.
Os ataques deixaram sete marinheiros mortos.
A navegação pelo estreito está praticamente paralisada desde que os EUA e o Israel encetaram ataques contra o Irão, a 28 de fevereiro, impedindo a normal circulação naquele que é o caminho mais utilizado para a exportação de cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo. Como consequência, os preços dos combustíveis dispararam um pouco por todo o planeta para níveis que já não se viam desde 2022.
Desde o início do conflito que a Guarda Revolucionária do Irão alertou que qualquer navio que passe pelo Estreito será alvo de ataques, o que levou o Presidente dos EUA, Donald Trump, a ameaçar o país com mais ataques norte-americanos caso a obstrução do estreito continue.
O Irão, que fechou o estreito a norte, ameaçou repetidamente impedir a exportação de "um único litro de petróleo da região" se os ataques contra o país não cessarem, enquanto Washington insiste que a ofensiva só se intensificará se Teerão bloquear o fluxo de crude através deste ponto estratégico.
Porta-contentores danificado, dois navios graneleiros atingidos
Nas últimas horas, um navio porta-contentores foi atingido por um projétil não identificado a cerca de 25 milhas náuticas (46 quilómetros) a noroeste de Ras Al Khaimah, na costa dos Emirados Árabes Unidos. O local encontra-se ainda dentro do Golfo Pérsico, mas próximo de Ormuz.
De acordo com a UKMTO, a embarcação foi danificada, mas todos os tripulantes estão em segurança, garantia dada pelo capitão do barco, de bandeira japonesa.
Outro navio, um graneleiro de bandeira das Ilhas Marshall, também terá sido atingido a aproximadamente 80 quilómetros a noroeste do Dubai, danificando o casco. O aparelho foi atingido no porão enquanto estava ancorado. Não houve feridos entre os tripulantes e o navio não adernou.
Pior sorte teve outro graneleiro, o navio Mayuree Naree, de bandeira tailandesa, que terá sido atingido por "dois projéteis de origem desconhecida" quando navegava pelo Estreito na quarta-feira, causando um incêndio e danos na casa das máquinas, informou a operadora do navio, a Precious Shipping PSL.BK, cotada na bolsa tailandesa, em comunicado.
Três tripulantes poderão estar desaparecidos
"Três tripulantes estão desaparecidos e acredita-se que estejam presos na casa das máquinas", disse a Precious Shipping.
"A empresa está a trabalhar com as autoridades competentes para resgatar estes três tripulantes desaparecidos", acrescentou, informando ainda que os restantes 20 tripulantes foram retirados em segurança e estão em terra no Omã.
Imagens fornecidas pela Marinha tailandesa mostraram fumo a sair da popa do navio.
A Guarda Revolucionária do Irão afirmou, num comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim, que o navio foi "alvejado por combatentes iranianos", sugerindo o primeiro confronto direto da Guarda Revolucionária, que já tinha disparado mísseis ou drones anteriormente.
A declaração da Guarda Revolucionária incluiu uma referência a outro navio, que, segundo ela, foi atingido por projéteis – geralmente uma alusão a drones – na manhã de quarta-feira. A Reuters não conseguiu confirmar esta informação de imediato.
Os ataques a petroleiros e navios de carga que transitam pelo estreito de Ormuz, juntamente com as ameaças persistentes, deixaram este ponto praticamente fechado ao tráfego.
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