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Europa

Von der Leyen recua após declarações polémicas sobre nova ordem mundial

11 mar, 2026 - 11:27 • Daniela Espírito Santo

Depois de ter defendido, na segunda-feira, que a Europa não pode continuar a ser a "guardiã" de uma ordem global que chegou ao fim, Ursula von der Leyen declara agora que a UE continua "inabalável" na defesa do direito internacional.

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Durou pouco mais de 48 horas a aparente contradição entre Ursula von der Leyen e António Costa. Depois dos dois líderes europeus terem feito discursos díspares, no início da semana, sobre o posicionamento que a Europa deve assumir na geopolítica atual, eis que a presidente da Comissão Europeia faz novas declarações públicas, desta feita a garantir que a União Europeia (UE) continua "inabalável" no seu compromisso com o direito internacional.

A presidente da Comissão Europeia defendeu na segunda-feira que é preciso uma mudança no posicionamento geopolítico da Europa, que não pode continuar a ser a "guardiã" de uma ordem mundial que chegou ao fim, em nome da proteção dos seus próprios interesses. Para a conservadora alemã, eleita em 2019, a União tem de estar preparada para projetar o poder de forma mais assertiva, para combater a agressão e a interferência estrangeira, com todos os meios disponíveis.

"O mundo à nossa volta está a mudar a uma velocidade incrível e, agora, a Europa também está a mudar", defendeu, na segunda-feira, Von der Leyen, num discurso que gerou debate no seio da Europa. 48 horas depois, e em Estrasburgo, veio esclarecer que "ver o mundo como ele é" não significa deixar de lutar por uma versão melhor do mesmo.

"Deixem-me fazer um ponto importante: ver o mundo como ele é não diminui, de forma alguma, a nossa determinação em lutar pelo mundo que queremos", aponta a dirigente, citada pelo jornal El País na abertura de um debate sobre a campanha de ataques ao Irão iniciada pelos EUA e Israel, a 28 de fevereiro.

Este ângulo já tinha sido defendido esta terça-feira por António Costa, que acredita que a Europa não pode deixar de defender a atual ordem internacional, baseada em regras. O presidente do Conselho Europeu afirmou em Bruxelas que a visão global da Europa é um "trunfo estratégico" num mundo fragmentado e polarizado e que, perante uma "nova realidade", é preciso defender essa posição e não abandoná-la. "Os europeus devem defender os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, delineados nos nossos tratados", assume Costa, responsável por representar a União Europeia em matérias de política externa e de segurança.

No discurso desta quarta-feira, em pleno hemiciclo, Von der Leyen diz o mesmo. "A União Europeia foi fundada como um projeto de paz. O nosso compromisso inabalável com a busca da paz, com os princípios da Carta das Nações Unidas e com o direito internacional é tão fundamental hoje como era na altura da nossa criação. E defenderemos sempre estes princípios", garante.
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  • 2 Visões
    11 mar, 2026 Antagónicas 12:33
    Há duas visões neste caso: a de António Costa, que é alegar a defesa do "Direito Internacional" para manter tudo como está, no imobilismo que ele adora e para esconder a fraqueza da UE, e a anterior versão da Von Der Layen, mais próxima da Realidade atual onde o Direito Internacional é secundarizado pela lógica da Força Militar e onde não convém ser ingénuo, convém é, sem repudiar o Direito Internacional, ter Força Militar para o fazer valer, que de retórica, estamos todos fartos. Infelizmente a versão prevalecente ´parece ser a de António Costa, de reuniões atrás de reuniões, de retórica legal a quem os contendores não ligam meia, e um certo imobilismo onde por trás das declarações de fachada legal, se esconde a impotência de mudar alguma coisa
  • 2 Visões
    11 mar, 2026 Antagónicas 12:33
    Há duas visões neste caso: a de António Costa, que é alegar a defesa do "Direito Internacional" para manter tudo como está, no imobilismo que ele adora e para esconder a fraqueza da UE, e a anterior versão da Von Der Layen, mais próxima da Realidade atual onde o Direito Internacional é secundarizado pela lógica da Força Militar e onde não convém ser ingénuo, convém é, sem repudiar o Direito Internacional, ter Força Militar para o fazer valer, que de retórica, estamos todos fartos. Infelizmente a versão prevalecente ´parece ser a de António Costa, de reuniões atrás de reuniões, de retórica legal a quem os contendores não ligam meia, e um certo imobilismo onde por trás das declarações de fachada legal, se esconde a impotência de mudar alguma coisa

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