Polémica na Dinamarca
"Murros e gritos": Chef demite-se de um dos melhores restaurantes do mundo após denúncias
12 mar, 2026 - 20:05 • Catarina Magalhães
"Quando comecei a cozinhar, trabalhei em cozinhas onde os gritos, a humilhação e o medo faziam simplesmente parte da cultura", contou René Redzepi que abandonou a chefia do restaurante Noma após denúncias de maus tratos aos colegas.
O chefe dinamarquês cofundador do restaurante Noma, várias vezes eleito um dos melhores do mundo, demitiu-se depois de surgirem múltiplas alegações que terá agredido fisicamente os colegas.
O jornal norte-americano "The New York Times" publicou esta terça-feira uma reportagem sobre as acusações de abuso físico e psicológico de René Redzepi, incluindo revelações de que o chef desferia "socos na cara de funcionários, golpes com utensílios de cozinha e empurrões contra paredes".
Redzepi também anunciou na quarta-feira a sua demissão do conselho de uma organização sem fins lucrativos de culinária.
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"Murros, pancadas e gritos". Depois de entrevistarem 35 antigos funcionários, as denúncias sobre o restaurante inaugurado em 2003 descrevem um "padrão de punição física, trauma duradouro e várias camadas de abuso psicológico".
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As três estrelas Michelin, menu mínimo de 300 e poucos euros e a liderança consecutiva como "o restaurante mais influente da década" contrastam agora com os relatos de "intimidação, humilhação relacionada com o corpo e ridicularização pública" vivida naquele espaço.
Caso os colegas contestassem estes comportamentos, o chefe ameaçava colocar os empregados numa "lista negra" da indústria da restauração e hotelaria.
Em último caso, Redzepi alegadamente intimidava-os ao afirmar que provocaria o despedimento dos familiares noutras empresas, deportando-os depois da Dinamarca.
Em reação à reportagem, René Redzepi disse reconhecer o seu "comportamento" e que as suas "ações foram prejudiciais para as pessoas que trabalharam" consigo, escreveu numa publicação na rede social Instagram.
"Um pedido de desculpas não é suficiente e assumo a responsabilidade pelas minhas próprias ações", lamentou o chefe dinamarquês.
"Quando comecei a cozinhar, trabalhei em cozinhas onde os gritos, a humilhação e o medo faziam simplesmente parte da cultura."
As denúncias coincidiram na véspera do lançamento de um novo restaurante Noma em Los Angeles, nos Estados Unidos da América (EUA). Já o dia da estreia do restaurante, com bilhetes de reserva a 1.300 euros por pessoa (1.500 dólares), ficou marcado pelos protestos de antigos funcionários, avançou a estação televisiva NBC Los Angeles.
Porém, estes comportamentos não são novidade, já que, por exemplo, foi transmitido em 2008 o documentário "Noma at Boiling Point", no qual o chefe estava a gritar constantemente com os seus cozinheiros.
"Tenho-me esforçado para ser um líder melhor e o Noma deu-me oportunidade para dar grandes passos para transformar a cultura ao longo dos anos. Mas reconheço que estas mudanças não repararam o passado", disse o chefe, acrescentando que tornou-se no "tipo de chefe que tinha prometido [a si mesmo] que nunca seria".
Redzepi somou ao longo dos últimos anos uma grande influência no mundo da gastronomia, com o seu próprio programa na Apple TV, vários prémios e uma base leal de fãs, com mais de um milhão de seguidores.
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