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Médio Oriente

Abrigos sobrelotados e novos ataques: a crise dos deslocados no Líbano agrava-se

16 mar, 2026 - 13:42 • Olímpia Mairos

Médicos Sem Fronteiras alerta para a deterioração das condições de vida e para o impacto na saúde física e mental dos deslocados.

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Mais de 800.000 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas e cidades no Líbano. Foto. MSF
Mais de 800.000 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas e cidades no Líbano. Foto. MSF
Mais de 800.000 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas e cidades no Líbano. Foto. MSF
Mais de 800.000 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas e cidades no Líbano. Foto. MSF
Mais de 800.000 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas e cidades no Líbano. Foto. MSF
Mais de 800.000 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas e cidades no Líbano. Foto. MSF
Mais de 800.000 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas e cidades no Líbano. Foto. MSF
Mais de 800.000 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas e cidades no Líbano. Foto. MSF

Mais de 800 mil pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas em menos de duas semanas no Líbano, devido ao aumento dos bombardeamentos israelitas e à emissão de novas ordens de evacuação em larga escala. A situação está a agravar a vulnerabilidade de centenas de milhares de civis, incluindo pessoas que já se encontravam deslocadas desde confrontos anteriores, alerta a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).

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Entre elas está Ghina, uma jovem que fugiu da aldeia de Odaisseh, na fronteira sul do país. Desde 2023 que vive deslocada internamente e reside agora com a família num abrigo improvisado na localidade de Marwaniyeh, perto de Saida.

Vim com a minha família de Odaisseh e fomos das primeiras pessoas a ser evacuadas à força das nossas aldeias em 2023”, conta Ghina, em declarações recolhidas pela MSF. “Vivo neste abrigo há quase três anos. Antes estávamos cinco pessoas num quarto; agora, com o afluxo recente, há quartos onde vivem até 30 pessoas.”

O chamado abrigo Montana, que outrora funcionou como hotel, acolhe atualmente mais de 120 famílias deslocadas. Muitas vivem ali desde que as aldeias do sul do Líbano foram evacuadas há quase três anos. Nos últimos dias, porém, a chegada de novas famílias sobrelotou ainda mais o espaço.

Equipas móveis de saúde da MSF visitam regularmente o abrigo para prestar cuidados médicos básicos aos residentes. A organização desenvolve atividades semelhantes em vários outros abrigos espalhados pelo país, incluindo Norte, Akkar, Bekaa, Monte Líbano e Beirute, onde centenas de milhares de pessoas procuram refúgio.

Segundo as equipas no terreno, as condições de vida deterioraram-se rapidamente.

As pessoas estão a ser forçadas a deslocar-se mais uma vez, e isto está a afetar gravemente a sua saúde física e mental”, afirma Lou Cormack, coordenador nacional da MSF no Líbano.

Ataque aéreo a poucos metros do abrigo

Na manhã de 12 de março, quando uma equipa da organização chegou ao abrigo Montana, as famílias ainda estavam em choque após um ataque aéreo israelita ocorrido na noite anterior a cerca de 150 metros do edifício.

Embora não tenha provocado vítimas, o impacto psicológico foi imediato.

O ataque aéreo israelita atingiu sem aviso prévio e muito perto do nosso abrigo”, relata Ghina. “Todo o abrigo tremeu e as crianças começaram a chorar. Estou cansada desta situação.

O bombardeamento ocorreu precisamente quando Israel anunciou novas ordens de evacuação alargadas, que abrangem áreas mais a norte do rio Litani e avançam até ao rio Zahrani.

Este abrigo em Marwaniyeh, juntamente com pelo menos mais sete abrigos considerados seguros, já não é seguro”, explica Cormack. “Estão abrangidos pelas novas ordens de evacuação israelitas.

Milhares de pessoas obrigadas a fugir

A expansão das ordens de evacuação inclui agora zonas densamente povoadas até ao rio Zahrani e instrui os residentes a deslocarem-se até 50 quilómetros para norte da fronteira sul do Líbano.

Estamos a assistir a algo semelhante ao que vimos nos últimos dois anos e meio em Gaza: ordens de evacuação generalizadas, deslocação constante de milhares de famílias e bombardeamentos em áreas densamente povoadas”, afirma Cormack.

Após 15 meses de um frágil cessar-fogo, que não conseguiu travar a violência no Líbano, as famílias encontram-se novamente encurraladas entre fugir ou enfrentar as bombas”, acrescenta.

De acordo com estimativas citadas pela MSF, cerca de 14% do território libanês está atualmente sob ordens de evacuação. As áreas evacuadas, que incluem os subúrbios de Beirute e regiões da fronteira sul, ultrapassam 1.300 quilómetros quadrados.

Em menos de duas semanas, habitantes de quase 200 aldeias e cidades foram obrigados a abandonar as suas casas.

Apesar disso, muitas pessoas optam agora por não fugir novamente. Segundo a organização humanitária, os motivos incluem abrigos já sobrelotados, rotas inseguras, falta de meios para se deslocarem outra vez ou simplesmente não terem para onde ir.

Essa realidade, alertam as equipas no terreno, poderá aumentar ainda mais a exposição da população civil aos ataques e elevar o número de vítimas.

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