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Ciência

​Cientistas descobrem novo tipo de planeta com oceano de lava

16 mar, 2026 - 16:58 • Cristina Nascimento

Equipa de investigação de um consórcio internacional assegura que o exoplaneta em causa não encaixa no tipo de planeta conhecido até agora e admite que a diversidade de mundos na nossa galáxia pode ser ainda maior do que se imaginava anteriormente.

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Está a 35 milhões de anos-luz de distância, tem cerca de 1,6 vezes o tamanho da Terra e chama-se L98-59d. É um novo tipo de planeta que foi descoberto graças a observações recentes feitas através do telescópio espacial James Webb.

Os cientistas deram conta de um planeta com “uma densidade especialmente baixa, tendo em conta o seu tamanho e contém quantidades significativas de sulfureto de hidrogénio na sua atmosfera”, lê-se no site da Universidade de Oxford, uma das instituições envolvidas na descoberta.

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Ora, adianta a nota, até agora, um planeta com estas características seria classificado numa de duas categorias: ou um “anão gasoso” rochoso com uma atmosfera de hidrogénio, ou um mundo rico em água, composto por oceanos profundos e gelo.

No entanto, as novas descobertas revelam que L98-59d não se enquadra em nenhuma dessas descrições. Segundo os cientistas, parece pertencer a uma classe de planetas totalmente diferente, que contém moléculas pesadas de enxofre.

Recorrendo a simulações computacionais avançadas, os investigadores da Universidade de Oxford, da Universidade de Groningen, da Universidade de Leeds e da ETH Zurique reconstruiram a história do planeta desde pouco depois do seu nascimento até à atualidade, compreendendo um período de quase cinco mil milhões de anos.

De acordo com a nota publicada, depois de associadas as observações telescópicas a estes modelos físicos detalhados do interior e da atmosfera planetária, conseguiram determinar o que estará a acontecer nas profundezas do planeta.

Os resultados revelam que o manto de L98-59d é provavelmente silicato fundido, semelhante à lava na Terra, com um oceano de magma global que se estende por milhares de quilómetros abaixo da superfície.

O reservatório fundido permite ao planeta armazenar quantidades extremamente grandes de enxofre nas profundezas do seu interior. O oceano de magma também ajuda o exoplaneta a reter uma atmosfera espessa rica em hidrogénio, contendo gases que contêm enxofre, como o sulfureto de hidrogénio.

Os investigadores sugerem então que L98-59d pode ser o primeiro membro reconhecido de uma população mais ampla de planetas sulfurosos ricos em gás que sustentam oceanos de magma de longa duração.

"Se assim for, a diversidade de mundos na nossa galáxia pode ser ainda maior do que se imaginava anteriormente", adiantam os cientistas.

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