MNE retira portuguesa que terá sido agredida por colonos israelitas na Cisjordânia
17 mar, 2026 - 18:35 • Catarina Santos
Gabinete de Paulo Rangel assegura que a ativista de 25 anos "saiu hoje da Cisjordânia, acompanhada por um representante da Embaixada de Portugal em Ramallah". Segundo o jornal israelita Haaretz, dezenas colonos invadiram a comunidade palestiniana de Khirbet Humsa, na passada sexta-feira, espancando vários habitantes e duas ativistas, incluindo uma portuguesa.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) confirma, num comunicado enviado às redações, ter retirado da Cisjordânia, esta terça-feira, uma cidadã portuguesa que terá sido agredida por colonos israelitas na comunidade beduína de Khirbet Humsa, no norte do Vale do Jordão.
O ataque, noticiado pelo jornal israelita Haaretz, terá acontecido na madrugada da passada sexta-feira, quando dezenas de colonos mascarados invadiram a aldeia, roubaram o gado e distribuíram ameaças e agressões durante cerca de uma hora. Seis feridos foram retirados pelo Crescente Vermelho e transportados para o hospital, com ferimentos ligeiros, incluindo a cidadã portuguesa e uma outra ativista norte-americana.
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De acordo com o comunicado, o MNE "tem acompanhado de perto a situação da cidadã portuguesa". Trata-se de “uma mulher de 25 anos”, que se encontra "bem e em segurança”, tendo saído "hoje da Cisjordânia, acompanhada por um representante da Embaixada de Portugal em Ramallah”.
A nota adianta ainda que “foram prestados todos os apoios consulares adequados, incluindo a emissão de documentação temporária necessária à sua deslocação” e que "continuará a acompanhar o caso até à normalização total da situação", mantendo "contacto permanente com as autoridades locais e com a própria cidadã”.
Uma hora de espancamentos e ameaças. "Somos judeus, esta é a nossa terra"
A ativista portuguesa era voluntária numa missão da organização palestiniana International Solidarity Movement. É comum algumas organizações não-governamentais (ONG) colocarem ativistas nem aldeias palestinianas mais ameaçadas por colonos, como presença dissuasora.
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De acordo com um comunicado do movimento, os colonos terão entrado na pequena comunidade, onde vivem 12 pessoas, gritando "somos judeus, esta é a nossa terra" e "queremos matar-vos". Seguiu-se uma hora de ameaças, espancamentos e destruição de propriedade, incluindo a libertação de todo o gado dos currais — que terá sido depois levado pelos atacantes. Vários habitantes sofreram ferimentos.
Os relatos reproduzidos pelo Haaretz indicam que, quando o ataque começou, as duas ativistas dormiam numa tenda, onde estava também um homem palestiniano — que terá sido agredido sexualmente pelos colonos.
"Acordei com os gritos da minha amiga [a ativista portuguesa] a dizer para nos levantarmos, antes de sermos abalroados e encurralados na tenda por cerca de seis colonos israelitas com máscaras, armados com pesados tacos de madeira. De imediato, atiraram-nos aos três para o chão, atacando as nossas caras com os punhos e com os tacos. Ataram as nossas mãos e pés com abraçadeiras e gritavam coisas como 'Vamos matar-vos!'", contou a ativista norte-americana ao jornal.
Foi então que o homem com quem dividiam a tenda começou a ser atacado de forma brutal, de acordo com as descrições da ativista. "Puxaram as calças do palestiniano, atiraram-lhe água e espancaram-no brutalmente", relatou. "Tudo o que ele pôde fazer foi enrolar-se em posição fetal e gritar, enquanto lhe batiam com os tacos."
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Os colonos terão roubado os telemóveis, carteiras e passaportes das duas mulheres, acabando depois por arrastá-las pelo chão e levá-las para outra tenda. "Eles vendaram a minha amiga e empurraram-nos para o chão da tenda, onde estavam outros homens palestinianos. Continuaram a atingir-nos e a pontapear-nos a todos, mas os palestinianos recebiam os golpes mais duros", afirmou a norte-americana.
Quando abandonaram a comunidade, os colonos terão ameaçado regressar se os palestinianos não se retirassem daquele local. De acordo com o Haaretz e outras ONG que acorreram ao local, os primeiros socorros aos feridos foram prestados pelo exército israelita. Uma ambulância do Crescente Vermelho retirou depois os seis feridos, incluindo as duas ativistas.
Citadas pelo jornal israelita, as Forças de Defesa de Israel (IDF) esclareceram que foram recolhidos "testemunhos, provas e indícios" e que foi iniciada uma "busca pelos suspeitos". Investigadores forenses terão sido chamados ao local e decorre agora uma investigação ao sucedido, dizem as autoridades israelitas, acrescentando que "condenam veementemente atos de violência e crime e continuarão a trabalhar para manter a segurança dos residentes".
[Notícia corrigida às 10h30 de 18 de março com a informação de que na comunidade atacada vivem 12 pessoas e não 12 famílias]
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