Guerra no Médio Oriente
“Somos zombies durante o dia”. Portuguesa em Israel vive ao som de sirenes e a correr para abrigos
19 mar, 2026 - 09:09 • André Rodrigues
Kiki Aloni vive em Petah Tikva, na região central de Israel. “Cada alerta é meia hora de ir e vir”. Todas as manhãs começam depois de uma noite mal dormida. “É levantar e trabalhar… esta fase já vai muito longa". Em Telavive, David Rosh Pina dá conta de explosões esta manhã. É a normalidade possível de "uma cidade em guerra".
A última madrugada foi igual a quase todas as outras.
Em 20 dias de conflito entre Israel, Estados Unidos e Irão, Kiki Aloni, uma luso-israelita em Petah Tikva – no centro de Israel – descreve uma vida em contínuo sobressalto.
A sirene que toca, a corrida até ao abrigo, o silêncio tenso, o regresso a casa. E tudo, uma e outra vez.
“A noite passa sem dormir. Eu não tenho abrigo dentro de casa, tenho de ir ao abrigo fora, por isso cada ataque, cada sirene, é mais ou menos meia hora de ir e vir”, conta à Renascença.
Na manhã seguinte, a vida continua, apesar do cansaço. À hora em que este contacto foi realizado, Kiki Aloni estava prestes a sair de casa. Eram quase 09h00 em Israel – menos duas horas em Portugal: “tenho de me levantar e começar a trabalhar, porque esta fase já está a ser muito longa e é preciso trabalhar também.”
Mas o cansaço é muito percetível. “Somos zombies durante o dia”.
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Cada minuto pode ser tudo ou nada.
Na deslocação para o trabalho, Kiki Aloni conta com a ajuda do GPS. “Vamos ver os caminhos, uma pessoa não sabe… temos na aplicação do Waze o sítio onde se procura os abrigos, se precisarmos pelo caminho”.
Kiki diz que “é mais seguro assim”.
Petah Tikva fica no Distrito Central e tem sido um dos alvos preferenciais dos mísseis iranianos, “porque está perto do aeroporto e eles estão a atacar muito esta área”.
As bombas de fragmentação que são lançadas “separam-se em 20 ou mais bombas pequeninas”, causando “muitos estragos” e provocando mortes na zona.
“Uma bomba das pequeninas caiu mesmo atrás da minha casa. Eu estava no abrigo e senti-me segura. Mas não é fácil”, conclui.
Telavive esta manhã. "Pelo menos dois estrondos"
Em Telavive, os ataques da última madrugada atingiram um prédio residencial e, pelo menos, uma pessoa ficou ferida.
Na manhã desta quinta-feira, a primeira sirene soou pouco antes das 09h00 - hora portuguesa.
A partir de um abrigo na cidade, David Rosh Pina relata "pelo menos dois estrondos", depois de uma manhã de aparente normalidade "numa cidade em guerra".



Este português mora em Netanya, a 30 quilómetros de Telavive. Durante a madrugada, "foram dois alertas", mas nenhum ataque ocorreu.
"Comparando com junho do ano passado, não é nada do que se esperava", assegura.
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