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França

Autárquicas em França testam força da extrema-direita a um ano das presidenciais

22 mar, 2026 - 08:30 • Eva Massy, correspondente da Renascença em Paris

Segunda volta das eleições fica marcada pela indecisão entre a progressão da extrema-direita, os desentendimentos à esquerda e o fracasso da frente republicana.

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A França vai este domingo a eleições autárquicas, numa segunda volta que fica marcada pela indecisão.

A um ano das presidenciais, os resultados deverão refletir o estado de espírito do eleitorado francês, que oscila, perante a progressão da extrema-direita, os desentendimentos à esquerda e o fracasso da frente republicana. Estas eleições não decidem apenas a governação local. Na leitura nacional, poderão clarificar os equilíbrios políticos em França.

Um dos fatores que mais marca esta segunda volta das autárquicas em França é o fracasso da chamada frente republicana, um movimento de alianças em todo o espectro político que até agora pretendia preservar a subida da extrema-direita.

Fracasso, porque se assiste pelo contrário a maior visibilidade e à banalização desta extrema-direita, protagonizada pelo Rassemblement National de Jordan Bardella e Marine Le Pen, mas não só.

Em Paris, a candidata Sarah Knafo do partido Reconquista, mais extremo ainda do que a fação dos Le Pen, recolheu 10,4% das vozes na primeira volta. Mas decidiu retirar-se para, segundo uma publicação nas suas redes sociais, "infligir uma derrota à esquerda".

Esta passagem pelas autárquicas poderá também ter sido, para Sarah Knafo, um teste à sua popularidade, a um ano das presidenciais.

O fracasso da frente republicana deve-se também aos desentendimentos à esquerda, entre o Partido Socialista e a França Insubmissa, classificada "esquerda radical", num panorama político cada vez mais inclinado para a direita. Houve tentativas falhadas de fusão entre as listas socialistas e as da Frente Insubmissa.

Em Marselha, por exemplo, a segunda maior cidade francesa, dirigida até então pelos socialistas, o candidato de extrema-direita Frank Allisio ficou apenas um ponto percentual atrás do autarca cessante, Benoit Payan. O socialista Benoit Payan recusou qualquer associação com a França Insubmissa e, em reação, o candidato Insubmisso retirou-se da corrida, para favorecer o voto socialista e travar a extrema-direita.

Em Toulouse e em Lyon, as discussões decorrem mas observa-se a mesma dificuldade em unir as listas de esquerda (Partido Socialista / Frente Insubmissa), o que, em alguns casos, poderá beneficiar as listas de direita ou extrema-direita.

Quem se fez discreto, ao longo de toda a campanha, foram os membros do partido presidencial, concentrando esforços e atenção nas eleições presidenciais. Presidenciais, previstas para 2027, que poderão depender, em parte, da redistribuição dos poderes entre esquerda, direita e extrema-direita resultante destas autárquicas. Tornando pouco provável a tão esperada "clarificação" do voto francês.

Os resultados são esperados a partir das 20 horas locais.

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