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Estreito de Ormuz está aberto a todos exceto a "navios ligados ao inimigo", diz Irão

22 mar, 2026 - 12:21 • Liliana Monteiro com Lusa

Trump ameaça atacar centrais elétricas iranianas se estreito de Ormuz não abrir em 48 horas.

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A passagem do estreito de Ormuz está aberta a todos, exceto a navios ligados ao inimigo. O aviso é do representante do Irão na Organização Marítima Internacional da ONU que, este domingo, reitera que a agressão dos EUA e de Israel é a raiz do encerramento desta importante passagem marítima.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou atacar centrais elétricas iranianas se o estreito de Ormuz não abrisse em 48 horas. "Se o Irão não abrir totalmente, sem ameaças, o estreito de Ormuz num prazo de 48 HORAS a partir deste preciso momento, os Estados Unidos atacarão e arrasarão as suas diversas centrais elétricas, começando pela maior", escreveu Trump na rede social que lhe pertence, Truth Social.

Ora, precisamente o Irão alerta ainda para danos irreversíveis, junto de infraestruturas de energia e petrolíferas ligadas aos Estados Unidos nesta região, isto se Trump concretizar estes ataques anunciados. O aviso é feito na rede social X pelo presidente do parlamento iraniano.

A mensagem de Trump surge depois de as Forças Armadas dos EUA terem anunciado, sábado, que enfraqueceram a capacidade do Irão de "ameaçar a liberdade de navegação" no estreito de Ormuz, após terem atacado, esta semana, um arsenal subterrâneo situado ao longo da costa do país.

A instalação era utilizada para armazenar mísseis de cruzeiro antinavio e outros materiais, explicou num vídeo publicado nas redes sociais o líder do Comando Central dos EUA, Brad Cooper.

O estreito de Ormuz é a única passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico e por ele transitam 20% das exportações globais de petróleo bruto.

Desde o início da guerra, as tentativas da Guarda Revolucionária Iraniana de impedir a passagem de navios cujas cargas possam beneficiar os EUA e Israel reduziram drasticamente - em 95%, segundo analistas do sector, como a Kpler - o tráfego de navios de carga e petroleiros em Ormuz, fazendo disparar os preços do petróleo.

Trump instou os aliados da NATO ou países asiáticos, como a Coreia do Sul, o Japão e até a China, que dependem enormemente do petróleo da região, a prestar apoio militar no estreito para garantir a navegação pelo mesmo, mas, por enquanto, nenhum se comprometeu a enviar recursos para a zona.

A guerra que os Estados Unidos e Israel travam contra o Irão desde 28 de fevereiro, data em que foi assassinado o líder supremo do país, Ali Khamenei, entra na quarta semana sem que Trump tenha esclarecido por quanto tempo prevê que o conflito se prolongue.

O exército iraniano anunciou que atacará as infraestruturas energéticas e as instalações de dessalinização de água na região, caso Donald Trump concretize as ameaças de destruir as centrais elétricas iranianas.

"Se a infraestrutura petrolífera e energética do Irão for atacada pelo inimigo, todas as infraestruturas energéticas, de tecnologia da informação e de dessalinização de água pertencentes aos Estados Unidos e ao regime da região serão alvo de ataques", declarou o porta-voz do comando operacional do exército, Khatam al-Anbiya, num comunicado publicado pela agência Fars.

A fonte não especificou a que "regime" se referia.

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