Diplomacia
MNE da Hungria era os ouvidos da Rússia no Conselho Europeu?
23 mar, 2026 - 20:35 • Catarina Magalhães
Péter Szijjártó ligava a Sergei Lavrov no intervalo das reuniões, noticia "Washington Post". Primeiro-ministro da Polónia afirma que alegação "não surpreende ninguém".
O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) da Hungria, Péter Szijjártó, tinha por hábito telefonar ao homólogo russo, Sergei Lavrov, nos intervalos das reuniões do Conselho Europeu com "relatórios em tempo real sobre o que tinha sido discutido", avançou o jornal norte-americano "The Washington Post".
O chefe da diplomacia húngara partilhava informações confidenciais dos bastidores europeus, indicou o mesmo jornal ao citar uma fonte anónima europeia responsável pela segurança.
"Cada reunião da UE decorre há anos praticamente com Moscovo sentado à mesa", lê-se.
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Perante a queda de popularidade nas sondagens para as eleições de abril, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, já ordenou esta segunda-feira uma investigação sobre as escutas ao ministro Szijjártón, enquanto o governo procura reverter as consequências desta notícia.
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"Estamos a lidar com duas questões sérias: há provas de que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria foi escutado e também temos indícios de quem pode estar por detrás disto. Isto precisa de ser investigado imediatamente", reclamou o líder húngaro.
Já o próprio MNE Szijjártó negou a denúncia sobre os laços da Hungria com a Rússia e classificou-a como uma "notícia falsa, como sempre".
"Estão a mentir para apoiar o partido opositor e tentar formar um governo fantoche pró-guerra. Não vão conseguir!", insistiu, referindo-se ao líder conservador da oposição, Péter Magyar.
Em reação, o primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, afirmou que a "notícia não surpreende ninguém" na rede social X (antigo Twitter).
"Há muito que alimentávamos suspeitas. É uma das razões pelas quais só intervenho quando é absolutamente necessário e digo apenas o indispensável", comentou o chefe de Governo polaco.
Segundo o jornal "Politico", um porta-voz da Comissão Europeia considerou a troca de informações como algo "bastante preocupante" e afirmou ainda estar à espera de mais esclarecimentos por parte da Hungria.
Esta revelação soma-se a outra divulgada pelo mesmo jornal no último sábado: os serviços secretos russos terão proposto encenar uma tentativa de assassinato de Orbán, poucos dias antes das eleições para influenciar os votos.
De acordo com responsáveis de segurança europeus citados pelo The Washington Post, a Rússia tem apoiado Viktor Orbán através de campanhas nas redes sociais, promovendo a ideia de que o líder húngaro é o único capaz de defender a soberania do país.
Péter Szijjártó tem visitado frequentemente Moscovo desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, para discutir o fornecimento de petróleo russo e outros assuntos.
- Noticiário das 8h
- 15 abr, 2026









