América Latina
Centenas em manifestação contra "salários de fome" na Venezuela
24 mar, 2026 - 00:39 • Lusa
"Free the salario [libertem os salários]", podia ler-se num cartaz durante a manifestação, uma alusão irónica ao slogan oficial "Free Maduro [livres de Maduro]", utilizado pelo governo para pedir a libertação do Presidente deposto Nicolás Maduro.
Centenas de empregados e reformados manifestaram-se na segunda-feira em Caracas para exigir um aumento dos salários "da fome" e das pensões "da morte", congelados há quatro anos, enquanto a inflação reduziu fortemente o poder de compra.
Entre os manifestantes, uma reformada de 72 anos queixou-se sobre as baixas pensões: "o que vamos fazer com esta pensão que não chega para nada? Sem o meu filho a ajudar-me, não poderia comprar os meus medicamentos", reportou a agência de notícias francesa AFP.
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Embora o rendimento possa chegar aos 130 euros graças a subsídios do Estado, continua a ser insuficiente face aos 556 euros que custa, em média, a cesta básica alimentar para uma família.
"Free the salario [libertem os salários]", podia ler-se num cartaz durante a manifestação, uma alusão irónica ao slogan oficial "Free Maduro [livres de Maduro]", utilizado pelo governo para pedir a libertação do Presidente deposto Nicolás Maduro, capturado pelo exército americano a 3 de janeiro e agora preso em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América (EUA).
Os manifestantes planeavam protestar em frente ao Ministério do Trabalho, mas foram bloqueados por um grupo de motociclistas apoiantes do governo e por polícias anti-motins.
Os sindicatos exigem um salário mínimo de 172,4 euros e que os recursos petrolíferos gerados desde a intervenção americana sejam utilizados para esse fim. "Se entrou dinheiro do petróleo deve ser usado para aumentar os salários", reclamou a sindicalista Griselda Sanchez.
Muitos economistas, no entanto, concordam que a Venezuela não está em condições de aumentar os salários até ao nível exigido pelos trabalhadores.
Paralelamente, apoiantes do governo manifestaram-se para exigir a total revogação das sanções internacionais, acusadas de serem a causa de todos os problemas económicos da Venezuela.
Washington atenuou parcialmente estas medidas após a queda de Nicolás Maduro. Sem sanções, "podemos tratar melhor a questão dos salários", declarou o ministro do Interior do país, Diosdado Cabello.
A crise económica e política levou quase oito milhões de venezuelanos a deixar o seu país desde 2013.
- Noticiário das 7h
- 15 abr, 2026










