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Médio Oriente

Israel vai ocupar área do sul do Líbano até ao rio Litani, diz ministro da Defesa

24 mar, 2026 - 14:31 • Reuters

A ideia é de Israel é criar uma “zona tampão defensiva” naquela parte do Líbano. Telavive já destruiu cinco pontes sobre o rio Litani desde 13 de março.

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Israel vai ocupar o sul do Líbano até ao rio Litani para criar uma “zona tampão defensiva”, afirmou esta terça-feira o ministro da Defesa, Israel Katz, explicitando pela primeira vez a intenção de tomar território equivalente a quase um décimo do país.

Num encontro com o chefe do Estado-Maior, Katz declarou que as forças israelitas irão “controlar as restantes pontes e a zona de segurança até ao Litani”, rio que desagua no Mediterrâneo a cerca de 30 km a norte da fronteira com Israel.

O grupo armado libanês Hezbollah afirmou que irá combater para impedir a ocupação do sul do Líbano por tropas israelitas, classificando tal cenário como uma “ameaça existencial” ao Estado libanês.

O deputado sénior do Hezbollah, Hassan Fadlallah, disse que qualquer ocupação israelita a sul do Litani será enfrentada com resistência. “Não temos outra escolha senão enfrentar esta agressão e manter-nos firmes na nossa terra”, declarou à Reuters.

Israel destruiu cinco pontes sobre o rio desde 13 de março e acelerou a demolição de habitações em aldeias libanesas próximas da fronteira, no âmbito do que afirma ser uma campanha contra o Hezbollah, e não contra civis. Ao abrigo do direito internacional, ataques contra infraestruturas civis, incluindo casas e pontes, são, em geral, proibidos.

Katz já tinha advertido o governo libanês de que perderia território caso não desarmasse o Hezbollah, grupo apoiado por Teerão que envolveu o Líbano na guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão ao lançar ataques contra Israel a 2 de março.

O exército israelita recusou comentar as declarações de Katz. Anteriormente, indicara que forças terrestres estavam a realizar incursões limitadas e direcionadas perto da fronteira. Israel invadiu repetidamente o Líbano nas últimas décadas e ocupou o sul do país até ao ano 2000.

Zona tampão semelhante à de Gaza

Katz afirmou que não poderá haver habitações nem residentes em áreas do sul do Líbano onde exista “terror”, numa aparente referência ao Hezbollah, cujos combatentes continuam a lançar ataques diários com foguetes e drones contra Israel, além de confrontos com tropas israelitas em aldeias do sul do Líbano.

O ministro disse que as forças estão a estabelecer uma “linha avançada de defesa”, destruindo infraestruturas utilizadas pelo Hezbollah, incluindo casas que descreveu como “postos avançados terroristas”.

Pela segunda vez esta semana, Katz comparou a abordagem à adotada pelo exército israelita em Gaza, afirmando que edifícios próximos da fronteira estão a ser esvaziados e demolidos “para criar uma zona tampão defensiva e afastar a ameaça das comunidades”.

Na segunda-feira, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, defendeu que Israel deveria anexar o sul do Líbano até ao rio.

"Aldeia está em ruínas"

Não houve reação imediata do governo libanês, mas muitos residentes que fugiram do sul do país, criticando o silêncio das autoridades.

“Se o nosso governo não está connosco, o que podemos fazer?”, questionou Najib Hussein Halawi, que abandonou a sua terra natal, Kfar Kila, perto da fronteira, há várias semanas. Segundo o próprio, a aldeia está em ruínas.

Os ataques israelitas no sul do Líbano e em partes de Beirute causaram destruição generalizada e provocaram mais de mil mortos, segundo as autoridades libanesas, tendo forçado mais de um milhão de pessoas a abandonar as suas casas.

O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos criticou as ações de Israel, em particular o uso de ordens de evacuação.

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