Guerra na Ucrânia
Zelensky condena "depravação absoluta" da Rússia após ataques massivos
24 mar, 2026 - 22:08 • Lusa
"A Rússia não tem absolutamente nenhuma intenção de pôr realmente fim a esta guerra", diz Zelensky.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou esta terça-feira a "depravação absoluta" da Rússia, após ataques diurnos massivos com drones por todo o país, nomeadamente no centro histórico da cidade de Lviv.
"Os [drones] 'Shahed' iranianos, modernizados pela Rússia, atingiram uma igreja em Lviv: isto é de uma depravação absoluta e só alguém como [o Presidente russo Vladimir] Putin pode gostar disto", disse Zelensky no seu discurso diário.
"A dimensão deste ataque mostra claramente que a Rússia não tem absolutamente nenhuma intenção de pôr realmente fim a esta guerra", acrescentou Zelensky, prometendo que Kiev "responderá certamente a qualquer ataque".
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Pelo menos quatro pessoas morreram nos ataques desta terça-feira registados no país, segundo as autoridades ucranianas.
"Até ao momento, sabe-se de mais de 40 feridos, entre os quais cinco crianças. Está a ser prestada toda a assistência necessária a todos", adiantou o líder ucraniano.
Segundo a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou mais de mil drones contra a Ucrânia nas últimas 24 horas, após uma onda de ataques diurnos de uma magnitude rara.
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A Rússia levou a cabo "um dos ataques mais massivos contra a Ucrânia" com "556 drones de ataque" lançados entre as 09h00 e as 18h00 locais, que se somam aos 392 drones e 34 mísseis enviados durante a noite, indicaram as forças ucranianas.
Os ataques russos atingiram, entre outras localidades da Ucrânia, a cidade de Lviv e danificaram edifícios no recinto da igreja de Santo André, que é Património Mundial da UNESCO.
O ataque russo provocou um incêndio na parte superior de edifícios residenciais de três andares situados no recinto da igreja de Santo André, construída durante o século XVII, património reconhecido pela UNESCO desde 1998, segundo avançou o presidente da Câmara de Lviv, Andri Sadovi.
A cidade ucraniana de Lviv fica situada a cerca de 70 quilómetros da fronteira com a Polónia.
"A Rússia está a atacar um centro urbano movimentado em plena luz do dia", reagiu a primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Sviridenko, na rede social X (antigo Twitter), face ao ataque com drones de conceção russo-iraniana.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Andriy Sybiga, criticou num comunicado os ataques, descrevendo-os como brutais, salientando o importante valor cultural de Lviv.
No mesmo comunicado, Sybiga exortou o diretor-geral da UNESCO, Jaled al-Anani, "a responder imediatamente ao crime e a adotar uma posição clara".
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um "think tank" (grupo de reflexão, em português) sediado em Washington que monitoriza as evoluções do campo de batalha desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, considerou na segunda-feira que a ofensiva russa de primavera-verão já está em curso.
Moscovo intensificou os seus ataques a partir de 17 de março e deslocou equipamento pesado e mais tropas para a linha da frente, segundo o ISW.
A guerra no Médio Oriente tem beneficiado a Rússia, através do levantamento parcial e temporário das sanções norte-americanas contra o comércio de petróleo russo, como parte dos esforços para conter a alta instabilidade nos mercados mundiais desde o início deste novo conflito.
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