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Ministra do Turismo da Itália renuncia: "Querida Giorgia, estou habituada a pagar as minhas contas e as dos outros"

25 mar, 2026 - 20:13 • Catarina Magalhães, com Reuters

Após pressão de Meloni, a ex-ministra italiana diz que o seu "registo criminal é irrepreensível" e que gostaria de não ser "bode expiatório da derrota no referendo".

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Após a pressão da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, a ministra do Turismo da Itália, Daniela Santanchè, apresentou demissão esta quarta-feira para "não ser bode expiatório" da derrota da chefe de Governo no referendo, avançou o jornal italiano "Corriere Della Sera".

"Não quero ser bode expiatório, porque a derrota no referendo não foi determinada por mim", lê-se na nota de despedimento.

Este cenário de instabilidade política acontece após Meloni ser derrotada no domingo para reformar o sistema judicial, com 54% dos italianos a dizer "não", e garantir a demissão de dois responsáveis da Justiça italiana na terça-feira.

Caso o voto fosse favorável, a reforma teria dividido o sistema judicial em carreiras separadas para juízes e procuradores, fracionar o Conselho Superior da Magistratura em dois órgãos e criado um novo Tribunal Disciplinar.

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Depois de acatar o pedido de Meloni por alegadamente estar envolvida num esquema ilegal, Santanchè enfrenta um julgamento por alegada falsificação de contas e fraude na obtenção de apoios durante a pandemia Covid-19.

"Até à data, o meu registo criminal é irrepreensível", insistiu a antiga ministra.

Ao expressar "um pouco de amargura" por deixar o cargo, a ex-ministra afastou varias vezes as acusações criminosas que enfrenta.

"Querida Giorgia, na minha vida, estou habituada a pagar as minhas contas e, muitas vezes, as dos outros também."

Com o objetivo de reorganizar o poder italiano e mostrar responsabilidade, Meloni distingue-se do comportamento habitual dos líderes do país ao exercer pressão a ministros em público em vez de o fazer nos bastidores políticos.

A taxa de participação no referendo foi muito mais alta do que o esperado, quase 60%, com os eleitores a deslocarem-se às urnas para rejeitar as mudanças constitucionais.

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