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Palestina

Nova flotilha para Gaza zarpa em abril de Barcelona com participação portuguesa

25 mar, 2026 - 22:45 • Lusa

Mais de 100 embarcações e cerca de três mil participantes, incluindo portugueses, vão participar na maior flotilha da história. "Vamos tentar chegar a Gaza e participar na reconstrução de Gaza", diz o organizador.

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Uma nova flotilha para romper o bloqueio israelita à Faixa de Gaza partirá de Barcelona a 12 de abril e contará com mais de 100 embarcações e cerca de três mil participantes, incluindo portugueses, anunciou esta quarta-feira fonte oficial da organização.

A "Flotilha Global Sumud", que já organizou a expedição do ano passado – também com partida da capital catalã e na qual cerca de 40 embarcações foram intercetadas por Israel antes de chegarem a Gaza – apresentou esta quarta-feira a nova missão, que contará com apoio técnico e logístico da organização espanhola Open Arms.

Trata-se da maior flotilha da história rumo ao enclave palestiniano, território devastado por dois anos de combates entre Israel e o grupo extremista Hamas, de acordo com os organizadores.

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A missão, segundo a organização, integrará médicos, educadores, profissionais da construção e especialistas encarregados de documentar crimes cometidos na região.

O coordenador da "Flotilha Global Sumud", Saif Abukeshek, o chefe de operações da organização não-governamental (ONG) Open Arms, Gerard Canals, e a tripulante da missão do ano passado Ariadna Masmitjà participaram esta quarta-feira numa conferência de imprensa no parlamento da Catalunha, acompanhados por representantes do PSC, ERC, Comuns e CUP.

Abukeshek sublinhou que, após a experiência de 2025, vão regressar "mais fortes" e com maior determinação, acrescentando que a flotilha voltará a contar com rostos conhecidos entre a tripulação, embora ainda não tenham sido divulgados nomes.

Barcelona será o porto de partida da flotilha e grande parte das embarcações zarpará da capital catalã, embora outras se juntem ao longo do percurso a partir de diferentes pontos do Mediterrâneo.

Além da expedição marítima, que transportará ajuda humanitária e contará com médicos, representantes legais e profissionais da construção, esta missão incluirá também um comboio terrestre que deverá partir da Mauritânia no dia 10 de abril.

"Vamos tentar chegar a Gaza e participar na reconstrução de Gaza, mas o que acontecer pelo caminho não será um impedimento para continuarmos a lutar. Trata-se de mais um ato numa luta bastante longa dos povos oprimidos para defender os direitos humanos", sublinhou Abukeshek.

O coordenador da flotilha denunciou ainda que, apesar do "apagão informativo" sobre a Palestina, desde a assinatura, em outubro passado, do plano de paz para Gaza elaborado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continuam a ocorrer operações militares, ataques e bombardeamentos na região, que já provocaram mais de 600 mortos.

A flotilha contará com o apoio da Open Arms, que mobilizará o seu navio homónimo para prestar assistência técnica e mecânica à restante frota, bem como fornecer alimentos frescos, rebocar várias embarcações e prestar assistência médica.

"A Open Arms não é apenas um navio, é uma ferramenta ao serviço de um princípio básico: proteger a vida humana", afirmou Canals, que recordou que a ONG já tentou anteriormente romper o bloqueio a Gaza e abrir um corredor humanitário em conjunto com a organização World Central Kitchen (fundada pelo chef espanhol José Andrés), iniciativa que foi interrompida após um bombardeamento israelita que matou sete trabalhadores humanitários.

Depois de sublinhar que "não tomar posição não é neutralidade, mas sim permissividade", Canals explicou que o seu navio necessita de autorização da Marinha Mercante e instou a administração a não impedir a sua partida.

Por seu lado, Masmitjà apelou à sociedade civil catalã para apoiar a iniciativa, quer através de contribuições financeiras, quer participando nas atividades que terão lugar em Barcelona a 11 e 12 de abril, antes da partida da flotilha.

Portugal estará representado pelo ativista Nuno Gomes, defensor da causa palestiniana e que partiu esta quarta-feira para Barcelona numa viagem de várias etapas em que, antes de se juntar à equipa da organização Thousand Madleens to Gaza Ibérica, na capital catalã, divulgará a iniciativa pelo caminho.

"Vou falar com muita gente e pedir ajuda para reunir mais fundos para comprar mais barcos e mais material de ajuda humanitária que tanta falta faz a quem está a sofrer um genocídio", disse o também porta-voz da Zona Centro do Thousand Madleens do Gaza Ibérica à agência Lusa, antes de iniciar a viagem.

Nuno Gomes, salientando que há a possibilidade de mais cidadãos portugueses se juntarem à iniciativa, apelou a que sigam as atividades da Thousand Madleens to Gaza Ibérica na rede social Instagram, insistindo na necessidade de haver um número cada vez maior de donativos financeiros para apoiar a iniciativa.

Na primeira flotilha para Gaza, a Global Sumud, que decorreu entre o fim de agosto e o princípio de outubro de 2025, participaram a então coordenadora do partido político português Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício, e os ativistas Miguel Duarte e Diogo Chaves.

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  • Fiquem lá
    26 mar, 2026 mas de vez 09:18
    Aproveitem e fiquem por lá, mas de vez.

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