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Energia

Chile reforça segurança contra eventuais protestos por aumento históricos dos combustíveis

27 mar, 2026 - 09:22 • Lusa

As autoridades dificultaram o acesso à imprensa, principalmente estrangeira, ao centro de Santiago, onde as estações de metro foram encerradas.

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O governo chileno blindou quinta-feira Santiago do Chile, com barreiras no centro, encerramento de estações de metro, desvio do tráfego e um enorme dispositivo policial para evitar protestos pela entrada em vigor do histórico aumento dos preços dos combustíveis.

Embora tanto o presidente da República, José Antonio Kast, como o delegado presidencial da capital tenham defendido o direito à manifestação pacífica, a verdade é que o dispositivo impediu o acesso ao centro de Santiago do Chile, a capital do país, onde apenas um pequeno grupo de estudantes conseguiu chegar à sede do antigo congresso, local para onde o protesto estava convocado.

Igualmente, as autoridades dificultaram o acesso à imprensa, principalmente estrangeira, ao centro de Santiago, onde as estações de metro foram encerradas.

Meios locais informaram sobre alguns distúrbios e confrontos entre manifestantes e agentes de intervenção da Polícia militarizada, Carabineros do Chile, que usou camiões com mangueiras de água sob pressão e blindados com gás pimenta.

"Não afetemos mais a pátria do que já está afetada", afirmou Kast durante a apresentação no Palácio de La Moneda, igualmente blindado, do decreto aprovado pelo Congresso para mitigar o controverso aumento dos combustíveis.

"Se alguém quiser manifestar o seu desagrado, que não use o transporte público, sobretudo o metro, para se manifestar. Podem fazê-lo em qualquer lugar público, mas sem prejudicar outros compatriotas que necessitam desse transporte", acrescentou, recordando os acontecimentos de 2019, quando o aumento do custo do metro desencadeou a maior onda de protestos do Chile desde o fim da ditadura.

Nesse contexto, assegurou que o Estado responderá "com toda a força da lei" contra quem gerar violência.

O mandatário, ultraconservador, voltou hoje a defender a sua decisão de preferir não endividar os cofres do estado e fazer repercutir o custo da guerra sobre a população com um aumento histórico do combustível no meio de protestos contra ele. "Falar com a verdade dá-nos muita tranquilidade. Uma alternativa, como foi proposto, era endividar mais a nação. Isso acaba por se pagar mais caro", argumentou Kast numa cerimónia em que apresentou o primeiro pacote de medidas paliativas, aprovado pelo congresso.

Ao estilo da Administração de Donald Trump, que diz admirar, Kast apresentou-se numa sala do palácio de La Moneda com os ministros da área económica e, junto a estes, mostrou à imprensa a pasta com o decreto assinado.

As medidas incluem um congelamento das tarifas do transporte público e escolar em Santiago, que já tinham sido aumentadas há um mês, ajudas para taxistas e alguns transportadores e redução do preço da parafina para o inverno.

Medidas que já foram criticadas como "insuficientes" tanto pela oposição como por alguns partidos da direita, uma vez que deixam de fora o gás, que é a energia mais utilizada pelos chilenos de toda classe social, e não servem para travar o aumento dos preços que já se começou a sentir em toda a cadeia logística, num país sem comboios e apenas eletrificado.

Neste contexto, diferentes sindicatos de transportadores já alertaram que os preços "sem dúvida vão aumentar" e anunciaram mobilizações e cortes do trânsito a partir desta sexta-feira em todo o país.

Hoje, o preço da gasolina aumentou mais de 40% e o do gasóleo acima de 60% num país que depende do transporte por camiões.

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