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China

Artista julgado por esculturas satíricas do antigo fundador da China Mao Tsé-Tung

30 mar, 2026 - 22:44 • Catarina Magalhães, com Reuters

"Gao Zhen é um artista" e tem, por isso, "direito à liberdade artística, ponto final", defende a organização pelos direitos humanos na China.

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O artista dissidente chinês Gao Zhen, conhecido por criar esculturas satíricas provocadoras do antigo líder Mao Tsé-Tung, foi julgado esta segunda-feira por acusações de “difamar heróis e mártires nacionais”, segundo a sua esposa e um grupo de direitos humanos citados pelo jornal "The New York Times".

O artista plástico, de 69 anos, vivia nos Estados Unidos da América (EUA) desde 2022, mas em 2024 decidiu visitar o seu país e, desde então, está detido na China e pode enfrentar uma pena de três anos de prisão.

Já a esposa e o filho de sete anos do casal não têm permissão de saída do país.

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“Miss Mao”, que apresenta Mao com nariz de Pinóquio e seios, e “Guilt of Mao” ("Culpa de Mao", em português), uma estátua em bronze do líder ajoelhado em atitude de remorso, são duas das obras mais conhecidas.

Em reação ao caso, a investigadora da organização Chinese Human Right Defenders, Shane Yi, defende que "Gao Zhen é um artista" e tem, por isso, "direito à liberdade artística, ponto final".

"As acusações devem ser retiradas e Gao Zhen libertado imediatamente", lê-se em comunicado.

Segundo a representante, Gao está desnutrido e sofre de uma doença na zona lombar, para além de problemas crónicos nos joelhos e nos olhos que necessitam de tratamento.

Por vezes em conjunto com o seu irmão, Gao Qiang, Gao criou várias esculturas provocadoras de Mao que criticam a Revolução Cultural (1966-1976), um período de convulsão social e perseguição política generalizada na China que resultou em milhões de mortes.

À porta fechada, o julgamento de Gao Zhen terminou sem veredicto e pode demorar meses a ser conhecido. Até os diplomatas da União Europeia tentaram assistir ao julgamento, mas foram impedidos de entrar.

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