Guerra no Médio Oriente
Três capacetes azuis mortos no Líbano
30 mar, 2026 - 20:30 • Ricardo Vieira, com Reuters
Secretário-geral da ONU declarou que ataques contra força de paz constituem graves violações do Direito Internacional humanitário e podem configurar crimes de guerra.
Três capacetes azuis das Nações Unidas morreram e três ficaram feridos esta segunda-feira, no Sul do Líbano.
Dois militares da ONU, de nacionalidade indonésia, morreram quando a viatura em que seguiam foi atingida por uma explosão de origem desconhecida, indica a UNIFIL, a força de paz das Nações Unidas no Líbano.
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Dois soldados ficaram feridos em resultado do rebentamento registado na zona de Bani Hayyan
Horas antes, outro capacete azul indonésio foi morto e outro ficou ferido com gravidade quando um projetil rebentou junto a uma posição da UNIFIL, nas imediações da localidade de Adchit al-Qusayr, também no Sul do Líbano.
Estas foram as primeiras mortes entre a força de manutenção de paz das Nações Unidas na nova guerra entre Israel e o grupo armado libanês Hezbollah, que eclodiu a 2 de março.
“Trata-se de dois incidentes distintos e estamos a investigá-los como tal”, afirmou a porta-voz da UNIFIL, Kandice Ardiel.
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A Indonésia condenou o incidente e afirmou que qualquer dano infligido a forças de manutenção de paz é inaceitável, reiterando a sua condenação “dos ataques de Israel no sul do Líbano”.
As Forças Armadas israelitas não comentaram de imediato os incidentes.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que ataques contra os capacetes azuis constituem graves violações do Direito Internacional humanitário e podem configurar crimes de guerra.
“Condenamos veementemente estes incidentes inaceitáveis — as forças de manutenção de paz nunca devem ser um alvo”, afirmou o chefe da UNIFIL, Jean-Pierre Lacroix em conferência de imprensa.
O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noel Barrot, pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir "os incidentes extremamente graves" que resultaram na morte de soldados da UNIFIL.
“Estes ataques nas proximidades de posições de manutenção de paz da ONU são inaceitáveis e injustificáveis”, afirmou Barrot, acrescentando que a França apela “a uma investigação completa sobre as circunstâncias destas tragédias”.
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Durante o fim de semana, pelo menos 10 paramédicos e três jornalistas foram mortos em bombardeamentos de Israel, contra alvos no Sul do Líbano, de acordo com as autoridades locais.
As Forças Armadas israelitas acusaram operacionais do Hezbollah de se fazerem passar por paramédicos e afirmaram que alguns jornalistas que mataram integravam a ala de inteligência ou militar do grupo. Não apresentaram publicamente provas que sustentem essas alegações.
O Ministério da Saúde do Líbano negou que quaisquer ambulâncias ou instalações de saúde sejam utilizadas para fins militares. A presidência libanesa afirmou que os jornalistas visados são “civis no exercício de funções profissionais”.
Desde o início da guerra, mais de 1.240 pessoas morreram no Líbano, incluindo mais de 120 crianças, quase 80 mulheres e dezenas de profissionais de saúde, indicam as autoridades de Beirute.
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