Guerra Médio Oriente
Pensar que Ormuz se vai abrir naturalmente é “um conto de fadas”, diz Poejo Torres
02 abr, 2026 - 10:00 • Isabel Pacheco
Analista em assuntos internacionais alerta para os custos para os países europeus que se vêm “arrastados” para um conflito que “não deverá acabar tão depressa”. Manuel Poejo Torres alerta, ainda, que seria a Rússia a lucrar com a saída dos EUA da NATO.
O conflito Médio Oriente poderá vir a “correr muito mal, especialmente, aos países europeus”.
O alerta é deixado na Renascença pelo comentador de assuntos internacionais Manuel Poejo Torres, na análise à possibilidade de a guerra no Irão chegar ao fim sem que seja reaberto o Estreito de Ormuz, ponto estratégico no abastecimento de petróleo.
“Ouvir Donald Trump a dizer que provavelmente vai deixar a situação como está e o estreito [ de Ormuz] vai-se abrir naturalmente é um conto de fadas”, avisa o analista lembrando os custos para os países europeus que estão a “sentir-se obrigados a dirigirem-se para região”, declara.
“Com certeza que não o queriam fazer, sentem-se arrastados para o conflito”, acrescenta Poejo Torres.
E ao contrário do anunciado pelo presidente dos EUA de que as “hostilidades terminarão dentro de duas a três semanas”, Manuel Poejo Torres avisa que este é um conflito que “não acabará tão depressa”.
Mesmo que termine a operação militar, isso “não quer dizer que a guerra de interesses com o Irão, por via de expressão económica, militar, diplomática e política acaba ao mesmo tempo que a operação Epic Fury”, sublinha o especialista em assuntos internacionais.
Saída dos EUA da NATO seria “colapso”
Sobre uma eventual saída norte americana na NATO, o comentador da RR alerta que tal seria um “ colapso”. Representaria o “o divórcio entre as duas margens do atlântico” que obrigaria a uma “reconfirmação terrível” do sistema internacional como o conhecemos hoje.
Um cenário difícil de acontecer, reconhece Poejo Torres, que seria, diz, uma conquista para Putin. Se tal acontecesse “num plano hipotético seria a melhor coisa para as ambições de Vladimir Putin cujo objetivo é dividir para conquistar”, lembra o especialista em assuntos internacionais para quem os EUA na realidade não querem abandonar aliança, mas alterar a sua posição .
“Se os Estados Unidos, e Marco Rubio também já o disse, vão pensar a sua posição na NATO, isso não quer dizer que vão acabar com a aliança« ou que se vão divorciar do compromisso de segurança euro-atlântica”, esclarece.
“Pode querer dizer que querem introduzir algumas cláusulas na carta da organização que modifiquem a posição dos Estados Unidos em função da ativação do artigo quinto no futuro”, antecipa.
A possibilidade de os EUA saírem da NATO não é nova. Ressurgiu depois de países membros da aliança militar terem recusado participar na operação conjunta com Israel contra o Irão. Donald Trump chegou mesmo a comparar, esta quarta-feira, a aliança a um “tigre de papel”.
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