Moçambique. Empresários estimam fecho de 240 empresas devido às cheias
03 abr, 2026 - 13:11 • Lusa
Danos abrangem diferentes setores económicos, incluindo agricultura, pequenos negócios e trabalhadores por conta própria, com impactos ainda difíceis de quantificar devido às áreas agrícolas que permanecem inundadas.
Cerca de 240 empresas encerraram temporariamente na província moçambicana de Gaza, sul do país, devido às cheias registadas desde o início do ano, afetando mais de três mil trabalhadores, segundo estimativas empresariais.
Fonte da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) admitiu esta sexta-feira à Lusa que o número de empresas afetadas poderá aumentar, uma vez que continua em curso o levantamento dos prejuízos nos distritos atingidos pelas inundações.
"Uma média de 240 empresas encerraram temporariamente segundo a atualização que temos e quanto ao número de desempregados tivemos um registo de mais de 3.000, sendo 24% permanentes e o resto sazonais", avançou a mesma fonte.
Segundo a organização empresarial, os danos abrangem diferentes setores económicos, incluindo agricultura, pequenos negócios e trabalhadores por conta própria, com impactos ainda difíceis de quantificar devido às áreas agrícolas que permanecem inundadas.
O impacto das cheias na produção agrícola ainda é incerto, uma vez que a província continua na época chuvosa e enfrenta nova vaga de inundações nos campos de cultivo em vários distritos, acrescentou a fonte.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 309, com 1,06 milhões de pessoas afetadas, desde outubro, segundo atualização de 31 de março do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.803 pessoas, com algumas zonas do sul a registaram nos últimos dias uma nova vaga de inundações.
Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.
No total, 24.229 casas ficaram parcialmente destruídas, 11.996 totalmente destruídas e 209.219 inundadas, em toda a presente época chuvosa, até ao momento.
Ao todo, 304 unidades de saúde, 109 locais de culto e 764 escolas foram afetadas em menos de seis meses.
Os dados do INGD indicam ainda que 316.267 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 371.320 agricultores, e 531.116 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.
Foram ainda afetados nesta época das chuvas 9.522 quilómetros de estradas, 51 pontes e 237 aquedutos.
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