Irão e EUA continuam à procura de piloto norte-americano desaparecido
04 abr, 2026 - 13:17 • Reuters
Dois tripulantes de aparelhos que terão sido abatidos foram resgatados. Irão garante ter usado novo sistema de defesa aérea.
As forças iranianas continuam, este sábado, à procura de um piloto norte-americano desaparecido de um dos dois aviões de guerra que terão sido alegadamente abatidos em espaço aéreo iraniano. A queda de um avião sobre o Irão e o Golfo Pérsico aumentou a pressão sobre Washington, à medida que a guerra entra na sexta semana com poucas perspectivas de conversações de paz.
Os incidentes mostram os riscos que as aeronaves norte-americanas e israelitas ainda enfrentam sobre o Irão, apesar das afirmações do Presidente Donald Trump e do seu secretário da Defesa, Pete Hegseth, de que as forças norte-americanas tinham o controlo total do espaço aéreo.
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A possibilidade de um militar norte-americano estar vivo e em fuga no Irão surge dias depois de Trump ter ameaçado bombardear o Irão "de volta à Idade da Pedra" num conflito que tem pouco apoio popular entre os norte-americanos e ameaça causar danos duradouros à economia global.
Com a liderança iraniana desafiante desde o início da guerra, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros garante, no entanto, ter deixado a porta aberta às negociações de paz com os EUA através da mediação do Paquistão, mas não deu qualquer sinal de que Teerão estaria disposta a ceder às exigências de Trump.
"Estamos profundamente gratos ao Paquistão pelos seus esforços e nunca nos recusámos a ir a Islamabad. O que nos importa são os termos para um FIM definitivo e duradouro da guerra ilegal que nos foi imposta", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, na rede social X.
Corrida contra o tempo para encontrar piloto desaparecido
Um caça F-15E norte-americano de dois lugares foi abatido por fogo iraniano, disseram responsáveis de ambos os países, enquanto duas autoridades norte-americanas afirmaram que o piloto ejetou de um caça A-10 Warthog que caiu no Kuwait depois de ter sido atingido por fogo iraniano.
Dois helicópteros Black Hawk que participavam nas buscas pelo piloto desaparecido foram atingidos por fogo iraniano, mas conseguiram sair do espaço aéreo iraniano, disseram as duas autoridades norte-americanas à Reuters.
A extensão dos ferimentos da tripulação não é, neste momento, clara.
A Guarda Revolucionária do Irão afirmou estar a revistar uma zona no sudoeste do país, perto do local onde o avião do piloto se despenhou, enquanto o governador da região prometeu uma condecoração para quem capturasse ou matasse "forças do inimigo hostil".
Os iranianos, bombardeados pelo poder aéreo norte-americano desde que os EUA e Israel iniciaram os seus ataques, a 28 de fevereiro, celebraram a queda dos aviões. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, disse na rede social X que a guerra tinha sido "rebaixada de mudança de regime" para uma caça aos pilotos.
No entretanto, e já no final da manhã deste sábado, o alto comando militar conjunto do Irão garantiu que o país utilizou um "novo sistema de defesa aérea" na sexta-feira, o que coincidiria com o momento em que o primeiro caça norte-americano foi abatido. "Alcançaremos certamente o controlo total dos céus do nosso país", garantiu o responsável, citado pela agência Reuters, contrariando, assim, Trump e Hegseth.
Trump esteve na Casa Branca a receber atualizações sobre a operação de resgate, disse um alto funcionário do Governo à Reuters.
Cada vez mais frustrado com as consequências políticas da guerra, Trump está a considerar uma reformulação mais ampla do gabinete após a demissão da procuradora-geral Pam Bondi esta semana, disseram pessoas familiarizadas com as discussões.
Qualquer possível remodelação poderá servir como um "reboot" para a Casa Branca, que enfrenta o aumento dos preços da gasolina, a queda da sua popularidade e as preocupações dos republicanos nas vésperas das eleições intercalares em Novembro.
O conflito já causou a morte a 13 militares norte-americanos e deixou mais de 300 feridos, segundo o Comando Central dos EUA.
Ataque a zona de central nuclear coloca mundo em alarme
Enquanto as hostilidades continuavam no sábado, os meios de comunicação estatais iranianos noticiaram ataques aéreos a uma zona petroquímica no sudoeste do Irão, com cinco feridos até ao momento.
Um projétil atingiu também um edifício auxiliar junto ao perímetro da central nuclear de Bushehr, no Irão, informou a agência de notícias Tasnim, matando uma pessoa. As operações da central não foram afetadas.
"Lembram-se da indignação ocidental com as hostilidades perto da central nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia? Israel e os EUA já bombardearam a nossa central de Bushehr quatro vezes. A precipitação radioativa acabará com a vida nas capitais do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), e não em Teerão", disse Araqchi também no antigo Twitter, referindo-se aos países árabes do Golfo.
Os meios de comunicação iranianos também noticiaram ataques aéreos a armazéns de água engarrafada no oeste do Irão.
Entretanto, o exército israelita afirmou ter levado a cabo "uma onda de ataques" contra Teerão.
A guerra já matou milhares de pessoas e desencadeou uma crise energética desde os ataques iniciais que mataram o Líder Supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei.
O Irão praticamente fechou o Estreito de Ormuz, que normalmente transporta cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, mas no sábado a agência de notícias Tasnim noticiou que o Irão tinha autorizado a passagem de navios com mercadorias essenciais para os seus portos. Logo após o anúncio, no entanto, um drone iraniano terá atingido um navio "ligado a Israel".
Enquanto os países da Alemanha ao Japão procuravam lidar com as consequências, cinco ministros das Finanças da União Europeia defenderam a criação de um imposto sobre os lucros extraordinários das empresas energéticas em reação ao aumento dos preços dos combustíveis, segundo uma carta vista pela Reuters.
[Notícia atualizada às 13h47 de 4 de abril de 2026 para acrescentar declarações das forças militares iranianas]
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