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Trump anuncia resgate de piloto desaparecido. Irão rejeita, CIA fala em "campanha de engano"

05 abr, 2026 - 08:33 • Daniela Espírito Santo com Reuters

Missão de alto risco das forças especiais dos EUA terá conseguido resgatar piloto que se tinha despenhado na sexta-feira, diz Presidente norte-americano. Irão, no entanto, desmente e mostra imagens de aparelhos abatidos. CIA explica que desenvolveu "campanha de engano" para confundir as forças iranianas e salvar militar.

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As forças norte-americanas terão conseguido resgatar o piloto que estava desaparecido desde sexta-feira em território iraniano. A informação foi avançada este domingo pelas autoridades norte-americanas, que confirmaram que o coronel, o oficial de sistemas de armas do F-15 abatido na sexta-feira, foi resgatado com vida.

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"Nas últimas horas, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma das operações de busca e salvamento mais ousadas da história norte-americana", disse Trump em comunicado, acrescentando que o militar ficou ferido, mas "ficará bem".

Já o Irão, através da agência de notícias Tasnim, veio desmentir o sucedido, mostrando imagens de aeronaves norte-americanas abatidas este domingo. A CIA, por seu lado, veio rapidamente explicar o que se terá passado: tudo se tratou de uma "campanha de engano" para distrair as forças iranianas num local enquanto o piloto era resgatado noutro lado.

Confuso? Vamos por partes: Logo após Donald Trump ter anunciado, na sua rede social Truth, que o piloto tinha sido resgatado, o Irão veio a público garantir que não, mostrando imagens de aparelhos militares abatidos em território nacional.

Logo de seguida, o Irão veio desmentir o sucedido, garantindo ter frustrado a tentativa de resgate do piloto e mostrando imagens de diversos aparelhos norte-americanos abatidos em solo iraniano. A agência noticiosa Tasnim publicou, nesta manhã de domingo, pelo menos três artigos sobre o caso, citando o porta-voz da sede central do Irão, Khatam al-Anbia, que assegura que "as forças militares iranianas destruíram várias aeronaves norte-americanas no sul de Isfahan, frustrando uma tentativa de missão para resgatar um piloto de caça americano abatido".

Segundo as forças armadas iranianas, trata-se de pelo menos um avião cisterna C-130 e dois helicópteros Blackhawk a menos na artilharia americana, mas a informação ainda não foi confirmada pelos EUA. Segundo Trump, não houve quaisquer baixas nem ferimentos durante a operação.

O porta-voz disponibilizou várias fotografias de destroços queimados dos alegados aparelhos, voltando a repetir que se tratou de um incidente que ocorreu "após esforços desesperados das forças dos EUA para se infiltrarem no coração do Irão para extrair o piloto". "Uma operação conjunta que envolveu forças aeroespaciais e terrestres, unidades voluntárias Basij e polícias conseguiu intercetar e neutralizar as aeronaves que se aproximavam", é dito em pelo menos duas publicações, onde se fornecem imagens de prova.

Uma dessas imagens foi, igualmente, utilizada pelo porta-voz do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, que, no antigo Twitter, já não comentou o hipotético resgate, mas decidiu antes ironizar a situação. "Se os Estados Unidos conseguirem mais três vitórias como esta, estarão completamente arruinados", satirizou.

"Campanha de engano" usada para distrair militares iranianos

No entretanto, fonte da CIA garante que a aparente confusão foi propositada. Trata-se de uma campanha de desinformação na qual os serviços secretos dos EUA estiveram "fortemente envolvidos", avança a NBC News.

Ou seja, para resgatar o piloto do F-15 foi lançada uma "campanha de engano" dentro do Irão para distrair os militares enquanto o operacional era recuperado.

"Enquanto os iranianos estavam confusos e com dúvidas sobre o que estava a acontecer, a agência usou as suas capacidades únicas e requintadas para procurar e encontrar o norte-americano", afirmou um alto funcionário da administração Trump, citado pela cadeia televisiva.

Nas publicações mais recentes das agências noticiosas iranianas e responsáveis militares e políticos, o enfoque passou a estar no abate dos aparelhos norte-americanos, a fazer lembrar, dizem, outra operação falhada dos EUA no território, nos anos 80.

Afinal, piloto está "gravemente ferido"

Oito horas depois de ter utilizado a sua rede social, a Truth, para anunciar que o piloto norte-americano desaparecido no Irão tinha sido resgatado, o Presidente dos EUA voltou a "twitar" para dar mais pormenores sobre a operação e deixar mais uma ameaça ao Irão caso o Estreito de Ormuz continue fechado à navegação.

Depois de dizer que o piloto resgatado tinha "sofrido ferimentos mas iria ficar perfeitamente bem", Donald Trump começa a nova atualização do incidente dizendo que o soldado resgatado, afinal, está "gravemente ferido". "Resgatamos o tripulante/oficial do F-15, gravemente ferido e extremamente corajoso, das profundezas das montanhas do Irão", começa por dizer Trump, noutra publicação.

Militar foi resgatado "em plena luz do dia" após "sete horas a sobrevoar o Irão"

Nela, o Presidente norte-americano oferece mais detalhes sobre a operação, assegurando que o militar foi resgatado "em plena luz do dia", após "sete horas a sobrevoar o Irão". "As forças iranianas procuravam-no com um grande efetivo e estavam a aproximar-se", acrescenta, adiantando que este tipo de operação "raramente é tentada".

Deixa antever aquilo que parece ser uma confissão que, de facto, houve duas tentativas para recuperar o soldado. "A segunda incursão ocorreu após a primeira", diz, sem dar mais pormenores, mas deixando elogios à "demonstração incrível de bravura e talento de todos".

Fica muito para esclarecer, numa operação que está a ser descrita de formas diferentes por vários envolvidos e, sobretudo, pelos dois lados da "barricada". Por exemplo, o Irão garante ter abatido dois aviões C-130 norte-americanos e dois helicópteros Blackhawk, enquanto que oficiais norte-americanos asseguraram ao Wall Street Journal que tiveram de destruir duas das suas aeronaves durante a operação porque apresentaram falhas mecânicas. À Reuters, outra fonte similar diz tratar-se apenas de um aparelho destruído e oferece a mesma conclusão: foi destruído pelos EUA porque estava defeituoso. A Associated Press, por sua vez, assegura que mais aeronaves tiveram de ser enviadas para o local para completar a missão.

As circunstâncias que levaram à destruição da(s) aeronave(s) ainda não foram confirmadas de forma independente por nenhum meio de comunicação no local ou internacional.

Para explicar todos os pormenores desta operação, que está a ser descrita de formas diferentes pelos dois lados da "barricada", Trump anunciou uma conferência de imprensa na Sala Oval, na próxima segunda-feira ao almoço.

Piloto estava "nas traiçoeiras montanhas do Irão"

O oficial era o segundo dos dois tripulantes do avião de guerra que o Irão afirmou na sexta-feira ter sido abatido pelas suas defesas aéreas. A Reuters noticiou na sexta-feira que o primeiro tripulante tinha sido resgatado, desencadeando uma busca de grande impacto, tanto por parte do Irão como dos Estados Unidos, pelo tripulante restante.

As autoridades iranianas tinham instado os cidadãos a ajudar a encontrá-lo, na esperança de obter vantagem contra Washington na guerra que Trump e Israel iniciaram a 28 de fevereiro.

Trump ameaçou intensificar o conflito nos próximos dias com ataques às infraestruturas energéticas do Irão.

Caso o Irão tivesse capturado o piloto, a consequente crise de reféns poderia ter alterado a percepção pública americana sobre um conflito que, segundo as sondagens de opinião, já era impopular.

Trump afirmou que o piloto foi resgatado "nas traiçoeiras montanhas do Irão", naquela que disse ser a primeira vez na história militar que dois pilotos norte-americanos foram resgatados, separadamente, em território inimigo.

O responsável disse à Reuters que, enquanto o especialista em sistemas de armas era transferido de perto de uma montanha para uma aeronave de transporte estacionada no Irão, as forças norte-americanas tiveram de destruir pelo menos uma das aeronaves devido a uma falha mecânica.

Aviões norte-americanos atingidos

A operação de resgate, que envolveu dezenas de aviões militares, encontrou forte resistência por parte do Irão.

A Reuters noticiou na sexta-feira que dois helicópteros Black Hawk envolvidos na operação de busca foram atingidos por fogo iraniano, mas conseguiram escapar do espaço aéreo iraniano.

Noutro incidente, um piloto ejetou-se de um caça A-10 Warthog após a aeronave ter sido atingida sobre o Kuwait e ter caído, segundo as autoridades, embora a extensão dos ferimentos da tripulação não seja clara.

Ainda assim, Trump mostrou-se triunfante.

"O facto de termos conseguido realizar ambas as operações sem que UM ÚNICO americano fosse morto ou sequer ferido prova, mais uma vez, que conquistámos o domínio e a superioridade aérea absolutos sobre o espaço aéreo iraniano", afirmou em comunicado.

As tripulações aéreas americanas são treinadas para o que fazer caso caiam atrás das linhas inimigas, medidas conhecidas como Sobrevivência, Evasão, Resistência e Fuga (SERE), mas poucos são fluentes em persa e enfrentam o desafio de permanecerem indetetáveis enquanto procuram resgate.

O conflito já fez 13 militares norte-americanos mortos e mais de 300 feridos, segundo o Comando Central dos EUA. Nenhum soldado americano foi feito prisioneiro pelo Irão.

Embora Trump tenha tentado repetidamente retratar as forças armadas iranianas como estando em frangalhos, estas têm sido capazes de atingir aeronaves norte-americanas repetidamente.

A Reuters noticiou que informações dos serviços de informação norte-americanos mostram que o Irão ainda possui um grande arsenal de mísseis e drones. Até há pouco mais de uma semana, os EUA apenas podiam afirmar com certeza que tinham destruído cerca de um terço do arsenal de mísseis do Irão.

A situação de outro terço era menos clara, mas os bombardeamentos provavelmente danificaram, destruíram ou enterraram estes mísseis em túneis e bunkers subterrâneos, disseram fontes da Reuters.

A guerra entre os EUA e Israel contra o Irão alastrou-se pelo Médio Oriente, matando milhares de pessoas e afetando a economia global com a subida vertiginosa dos preços da energia, que alimentam os receios de inflação.

[Notícia atualizada às 13h51 de 5 de abril de 2026 para acrescentar mais detalhes de ambos os lados do conflito]

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