Líbano. Bombardeamentos impedem entrega de ajuda do Vaticano a cristãos sitiados
07 abr, 2026 - 20:37 • Redação
Bombardeamentos no sul do Líbano forçaram o recuo de um comboio humanitário organizado pela embaixada do Vaticano. A missão destinava-se à aldeia cristã de Debel, onde escasseiam água potável e medicamentos.
Fogo de artilharia no sul do Líbano impediu esta terça-feira a entrega de ajuda humanitária na aldeia cristã de Debel, depois de um comboio organizado pela embaixada do Vaticano ter sido forçado a recuar a poucos minutos do destino, conta a “Reuters”.
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A missão foi escoltada pela força de manutenção da paz da ONU no Líbano, a UNIFIL, que confirmou o incidente.
"A missão teve de ser interrompida devido a bombardeamentos na área. Registámos alguns ferimentos ligeiros entre os capacetes azuis devido aos impactos nas imediações", afirmou a porta-voz da UNIFIL, Kandice Ardiel.
O padre Fadi Falfil, residente em Debel, disse à Reuters que o comboio transportava provisões básicas, incluindo pão e legumes, e que a entrega havia sido inicialmente agendada para o Domingo de Páscoa, mas os bombardeamentos intensos obrigaram ao adiamento para esta terça-feira.
"Não temos medicamentos básicos como insulina — não temos sequer água potável", afirmou Falfil.
O sacerdote acrescentou ter sido informado de que o fogo israelita sobre milicianos do Hezbollah nas imediações inviabilizou a entrega, sem que esteja fixada uma nova data para outra tentativa. O exército israelita, o Hezbollah e a embaixada do Vaticano no Líbano não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.
Milhares de cristãos em várias localidades do sul do Líbano permanecem nas suas casas apesar dos combates entre Israel e o Hezbollah, na esperança de que a sua neutralidade os proteja. No entanto, os confrontos e os ataques aéreos israelitas nas aldeias vizinhas tornaram as deslocações demasiado perigosas, agravando a escassez de bens essenciais.
Falfil sublinhou que a permanência na aldeia não é uma opção, mas uma declaração de princípios.
"Independentemente do que aconteça, vamos ficar. Ficamos por causa da nossa fé e da nossa história aqui — não é uma escolha, é uma mensagem", afirmou.
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