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Médio Oriente

“Uma civilização inteira morrerá esta noite”, ameaça Trump

07 abr, 2026 - 13:58 • Ana Kotowicz

Donald Trump fez a ameaça ao Irão nas redes sociais, esta terça-feira, por volta das 13 horas (hora de Lisboa). Teerão não reabrirá Estreito de Ormuz em troca de "promessas vazias".

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O tom de ameaça continua a subir dos dois lados. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar”, escreveu o Presidente dos Estados Unidos nas redes sociais às 13h06 desta terça-feira (hora de Lisboa). Do lado de Teerão, a resposta de um alto responsável, não identificado, é de que "se a situação fugir do controlo", os aliados do Irão fecharão a via marítima de Bab el-Mandeb. Além disso, a região ficará às escuras.

A Casa Branca quer que o Estreito de Ormuz seja reaberto até ao final desta terça-feira — foi bloqueado por Teerão depois dos ataques norte-americanos e israelitas ao país.

No entanto, o Irão não deu quaisquer sinais de querer fazer a vontade ao Presidente norte-americano.

Irão não reabrirá Estreito de Ormuz em troca de "promessas vazias"

Pelo contrário, uma fonte iraniana não identificada disse à Reuters que não haverá flexibilidade do lado do Irão se Washington continuar a insistir numa "rendição sob pressão". A mesma fonte, classificada como sendo de alto nível, afirma que Estados Unidos e Irão continuam a trocar mensagens via Paquistão. Já o Wall Street Journal escreve que os contactos diretos entre Teerão e Washington foram imediatamente interrompidos.

Horas antes, Donald Trump já tinha prometido fazer o Irão "regressar à Idade da Pedra", caso as suas exigências não sejam atendidas.

"Mostraremos flexibilidade quando virmos flexibilidade do lado norte-americano. O que os EUA querem é a reabertura do Estreito de Ormuz, e o Irão não o reabrirá em troca de promessas vazias", disse a mesma fonte iraniana à Reuters.

E respondeu à ameaça com outra ameaça: se os EUA atacarem as centrais elétricas do Irão, "toda a região e a Arábia Saudita ficarão às escuras".

Além disso, "se a situação fugir do controlo, os aliados do Irão também fecharão a via marítima de Bab el-Mandeb".

"Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá"

Na sua publicação na Truth Social, Trump diz desejar que a sua ameaça não se concretize. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá."

O Presidente continua, dizendo que houve uma mudança de regime "completa e total, onde prevalecem mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas". Por isso, "talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer — quem sabe?"

A resposta, argumenta Trump, chegará dentro de poucas horas. "Saberemos esta noite, num dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte chegarão finalmente ao fim. Que Deus abençoe o grande povo do Irão!”"

Também esta terça-feira foi avançado que o novo Líder Supremo do Irão, Motjaba Khamenei, filho do aiatola Ali Khamenei, encontra-se numa "condição severa", incapaz de governar.

A informação fará parte de um relatório diplomático dos serviços secretos norte-americanos e israelitas, ao qual o jornal britânico The Times teve acesso.

EUA atacam alvos militares na ilha de Kharg

As declarações de Trump surgem pouco depois de se saber que as forças armadas dos Estados Unidos realizaram novos ataques contra alvos militares na ilha iraniana de Kharg, segundo um responsável norte-americano, citado pela Reuters.

As operações, segundo a mesma fonte, não afetaram infraestruturas petrolíferas. Já o Wall Street Journal escreve que mais de 50 alvos militares foram atingidos.

JD Vance, na Hungria, disse que os ataques à ilha de Kharg não mostram uma mudança de estratégia dos EUA no Médio Oriente, nem uma violação do ultimato de Trump.

O vice-presidente dos Estados Unidos deslocou-se àquele país — que vai a votos no próximo domingo — para manifestar o seu apoio a Viktor Órban.

Segundo Vance, Trump afirmou muito claramente que os Estados Unidos não vão “atacar alvos no setor energético e de infraestruturas, até que os iranianos apresentem uma proposta" que a administração Trump possa apoiar. Ou "até que não apresentem qualquer proposta”.

Ataques não são mudança de estratégia, diz Vance

Assim, e uma vez que o ultimato termina esta terça-feira à noite, Vance é claro: “Não creio que as notícias relativas à Ilha de Kharg representem uma mudança de estratégia ou qualquer alteração da posição do Presidente”, disse aos jornalistas, durante uma conferência de imprensa em Budapeste.

Vance argumentou ainda que aos iranianos restam duas opções: a primeira via é aquela em que “decidem que vão ser um país normal e não vão financiar mais o terrorismo; vão fazer parte do sistema mundial de comércio e intercâmbio, e isso vai significar coisas muito melhores para eles economicamente”.
A outra opção é não se sentarem à mesa de negociações, continuados “empenhados no terrorismo”, “em aterrorizar os seus vizinhos”, “não apenas Israel, mas, claro, também os seus vizinhos árabes”.
“Nesse caso, a situação económica no Irão continuará a ser muito, muito má e, francamente, provavelmente irá piorar”, rematou.
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