Ouvir
  • Noticiário das 17h
  • 12 abr, 2026
A+ / A-

Manuel Poêjo Torres

​Cessar-fogo no Médio Oriente: “E o vencedor do cessar-fogo é... a China”

08 abr, 2026 - 10:49 • Hugo Monteiro

O comentador da Renascença Manuel Poêjo Torres considera que "nenhum dos lados" em conflito direto "é vitorioso" com o cessar-fogo temporário no Médio Oriente, uma vez que o vencedor é "aquele que compreende qual é a sua posição no mundo" e, aí, "ganha claramente a China".

A+ / A-

O comentador da Renascença Manuel Poêjo Torres diz que Donald Trump só sairá vitorioso do cessar-fogo temporário estabelecido com o Irão se um eventual futuro acordo de paz for ao encontro das exigências norte-americanas. Já o regime iraniano sai reforçado no plano interno.

Para o analista, "nenhum dos lados" em conflito direto "é vitorioso" com o cessar-fogo temporário no Médio Oriente e, "se olharmos para o resultado desta equação matemática, sai vitorioso aquele que compreende qual é a sua posição no mundo" e, aí, "ganha claramente a China".

Poêjo Torres argumenta que a China "teve a capacidade de, nos bastidores, manipular e manobrar politicamente para um cessar-fogo, mostrando que tem influência", ao mesmo tempo que conseguiu recolher dados militares durante a guerra, que lhe permitem, agora, "reconhecer que os seus sistemas de defesa antiaérea não funcionam contra os Estados Unidos".

"A China ganha porque sabe, agora, como é que os Estados Unidos vão competir de forma convencional e simétrica contra um adversário do calibre do Irão", reforça.

O comentador da Renascença rejeita que Donald Trump possa, no imediato, assumir-se como vencedor. O Presidente dos Estados Unidos só o poderá fazer "se o acordo de paz", que irá agora ser negociado, "for ao encontro dos objetivos" norte-americanos, mesmo que, "do ponto de vista estratégico, não tenha conseguido controlar o centro de gravidade da expressão militar iraniana".

No entanto, o especialista duvida que Donald Trump tenha espaço para negociar, a partir de agora, um acordo "próximo de uma posição de vitória política".

Poêjo Torres sinaliza que há menos de 24 horas "Trump falava na destruição do regime iraniano" e, agora, "canta vitória e está muito contente com a posição do governo iraniano, quando, na verdade, a sua vitória estratégica ainda não se materializou".

O comentador lembra, ainda, que nos dias de conflito houve falhas "na avaliação de inteligência inicial, no que diz respeito à capacidade de o Irão de utilizar mísseis balísticos, após uma grande degradação".

"Israel e Estados Unidos falharam naquilo que foi a avaliação do número de mísseis à disposição de Teerão. Falhou a avaliação de inteligência que não teve a capacidade de compreender que esses mesmos mísseis teriam um alcance superior ao expectável. Falhou a avaliação de inteligência que provavelmente pintou uma imagem probabilística mais favorável à revolução popular do que aquela que realmente aconteceu", aponta.

Poêjo Torres lembra que, "embora não queira dizer que o povo persa não quer a liberdade", provavelmente, "a revolução não se deu de forma espontânea", e o regime iraniano "sai galvanizado, porque conseguiu sobreviver à intempérie militar" e "isso vai-lhe dar uma força interna para continuar a escravizar o povo e para reconstruir-se como uma verdadeira potência" que vai procurar "mais tarde ou mais cedo a arma nuclear, para se tornar imune a este tipo de operações".

Já a União Europeia sai, na perspectiva de Poêjo Torres, como derrotada, porque, "se a guerra tem como objetivo libertar o povo persa, garantir a sobrevivência de Israel e retirar do poder um regime teocrático, então a utilização das bases aéreas na Europa devia ser oferecida e o seu livre uso também".

Os países "não o terem feito" de forma unânime "vai abrir precedentes militares e políticos que vão ser explorados pelos adversários dos Estados Unidos para criar divisão e para criar divórcio".

Ouvir
  • Noticiário das 17h
  • 12 abr, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque