Rutte. Aliados foram "lentos" no Irão mas estão a "fazer tudo o que os EUA pedem"
09 abr, 2026 - 16:23 • Daniela Espírito Santo com Reuters
Secretário-geral da NATO diz que Aliados tomaram os EUA como garantidos e que "NATO está fortalecida graças à liderança norte-americana". Admite, igualmente, que a Aliança possa ter papel numa missão no Estreito de Ormuz.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou esta quinta-feira que os países membros estão a fazer tudo o que o Presidente norte-americano, Donald Trump, solicitou para reforçar a aliança militar, mesmo que alguns tenham sido inicialmente "um pouco lentos" a prestar apoio aos Estados Unidos em plena guerra com o Irão.
"Quando chegou a altura de prestar o apoio logístico e de outras naturezas de que os Estados Unidos necessitavam no Irão, alguns aliados foram um pouco lentos, para dizer o mínimo", salienta o secretário-gera, que, no entanto, e "para ser justo", recorda que os Aliados "também ficaram um pouco surpreendidos" com a ofensiva. "Para manter o elemento surpresa nos ataques iniciais, o Presidente Trump optou por não informar os aliados com antecedência", disse Rutte durante um discurso em Washington.
"Mas o que vejo, quando olho para a Europa hoje, é que os aliados estão a prestar um apoio massivo", acrescentou. "Quase sem exceção, os aliados estão a fazer tudo o que os Estados Unidos pedem. Ouviram e estão a responder aos pedidos do presidente Trump."
Para Rutte, a NATO está "fortalecida graças à liderança norte-americana", liderança essa que é "absolutamente essencial", diz o secretário-geral dos Aliados, para que a "liberdade seja regra e não exceção".
NATO disponível para "desempenhar papel" em possível missão no Estreito de Ormuz
Em jeito de elogio a Trump e crítica à União Europeia, Rutte atira, igualmente, que o compromisso do Presidente norte-americano "reverteu mais de uma geração de estagnação e atrofia", ao "recordar a Europa de que os valores devem ser apoiados pelo poder firme". Para assegurar esse poder, adiciona, os países europeus estão a "assumir uma maior e mais justa parte da tarefa da defesa". "A partir daí, não haverá volta a dar, nem deveria haver", reforça, rejeitando a prévia "codependência pouco saudável", que dá, agora, lugar a uma "aliança transatlântica alicerçada numa verdadeira parceria".
"Marco Rubio tem razão quando diz que a Aliança não pode ser unidireccional. A NATO não era uma aliança unilateral quando tropas norte-americanas, europeias e canadianas lutaram e sacrificaram-se ombro a ombro no Afeganistão", enumera. Desta vez, admite Rutte, a Aliança também está "disposta a desempenhar um papel numa possível missão no Estreito de Ormuz", caso tenha condições para tal.
"Se a NATO puder ajudar, obviamente não há razão para não ajudar", remata.
Os comentários de Rutte foram feitos após um encontro com o Presidente dos EUA, Donald Trump, na quarta-feira. Segundo diplomatas disseram à Reuters que Trump informou algumas capitais de que deseja compromissos concretos nos próximos dias para ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz.
[Notícia atualizada às 17h19 de 9 de abril de 2026 para acrescentar mais declarações de Mark Rutte]
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