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Astronautas da Artemis II contam "intensa" e "fenomenal" experiência de aterrar nave espacial

17 abr, 2026 - 17:00 • João Carlos Malta , Daniela Espírito Santo com Beatriz Pereira

Em entrevista à cadeia de televisão norte-americana ABC, os astronautas falaram da quebra de comunicações durante seis minutos, as temperaturas escaldantes e a criação de uma "bolha de plasma que envolveu a nave espacial".

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A tripulação da Artemis II descreveu em pormenor o momento de reentrada e a amaragem, tendo-o classificado como “intenso” e digno de um livro. As declarações foram feitas no programa «World News Tonight», da cadeia de televisão norte-americana ABC.

A entrevista decorreu quase uma semana após regressarem a casa da histórica viagem de 10 dias em torno da Lua e de volta à Terra, na qual passaram a ser o grupo de humanos numa viagem espacial que esteve mais longe do nosso planeta.

“O que as pessoas talvez não saibam é que a reentrada é uma experiência pelo menos 10 vezes mais intensa do que qualquer lançamento de foguetão”, disse Christina Koch, uma das astronautas na missão à órbita da Lua.

É a parte mais fenomenal, o grande final de qualquer voo espacial. Regressar a um planeta não é brincadeira. Não é como aterrar um avião", garante.

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O atrito e a compressão da atmosfera terrestre durante a queda da Orion (a cápsula que os protegeu no espaço) criaram uma bolha de plasma que envolveu a nave espacial, impedindo a entrada e saída de sinais de rádio e provocando um corte de comunicações de seis minutos durante a reentrada na Terra.

A cápsula também enfrentou temperaturas de até 5000 graus Fahrenheit (2760 graus Celsius).

“Quando aquele plasma chega, é algo que nem dá para acreditar”, disse Koch, descrevendo o momento em que olhou pela janela e viu o clarão.

A bola de fogo em que estávamos ficou tão brilhante que parecia um soldador a arco. Quase nem se conseguia olhar para ela”, descreveu.

Já Reid Wiseman, comandante da Artemis II, tranquilizou o grupo, garantindo-lhes que tudo estava "normal", apesar de admitir que, também ele, ficou impressionado com a força de "quatro G" que tiveram de suportar "durante 13 minutos".

"Ele sabia lá se era normal!", brinca Christina Koch, que relembra que o que acontece na reentrada "não dá para treinar na Terra".

Durante a reentrada, há seis minutos de silêncio total entre os astronautas e o centro de comandos. Um momento que foi vivido com muita intensidade, especialmente por Victor Glover, responsável por tentar manter a equipa viva naqueles instantes. "Foi intenso. Durante o 'blackout' perdemos a capacidade de comunicar e pilotar a cápsula com ajuda da torre de controlo, mas sabíamos o que era suposto acontecer e quando era suposto acontecer. Tínhamos de estar bem atentos... Quando tocamos na água... foi indescritível", assegura.

A aventura destes quatro astronautas foi cheia de momentos do género, mas outro destacou-se: quando decidiram, em conjunto, dar o nome de uma cratera à mulher do comandante, Carroll, que morreu de cancro. Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana, explica que a decisão já tinha sido tomada, mas tudo o resto foi improvisado. "Não sabíamos como íamos fazê-lo mas, quando o sentimos... sentimos que era naquele momento que fazia sentido", explicou.

Wiseman, comovido, admite que poder "honrar uma mulher tão incrível, mãe das suas duas filhas, foi o "pináculo" da sua existência. "Não consigo descrever em palavras. Sei que, para as minhas filhas, que viram o pai delas a andar à volta da Lua com os seus melhores amigos, este foi um presente que não tem preço", desabafa.

O momento escolhido pode ter sido improvisado, mas fez História também por outros motivos: os quatro viram um lado da Lua que nunca tinha sido visto por humanos. "Quando vês o teu planeta a eclipsar-se atrás da Lua... é uma coisa incrível para um ser humano ver. Assim que a Terra deixou de estar visível soubemos: não podemos falar para casa", descreve o comandante.

"Tivemos a oportunidade de ver o lado mais oculto da Lua, ver áreas da Lua que nunca foram vistas antes... Para sermos honesto, tivemos de pausar um pouco para apreciar o momento e partilhar umas bolachas antes de voltarmos a fazer ciência", explica o líder.

"O planeta Terra é a coisa mais bonita que podes ver no espaço. Por comparação, também acabas por perceber quanto do universo é 'não-Terra' e como o planeta é uma espécie de bote salva-vidas... A Terra, naquele momento, não era muito diferente da nossa nave espacial. Eram apenas duas coisas diferentes, a manter humanos vivos no Universo", versou Christine Koch que logo a seguir, e em tom de brincadeira, se recusou a dizer de quem era o frasco de Nutella que o mundo inteiro viu a flutuar na nave durante a viagem...

A viagem histórica terminou em sucesso: depois de dez dias ao redor da órbita lunar, os quatros astronautas da missão Artemis II da NASA chegaram em segurança à Terra, depois da cápsula Orion ter amarado, como previsto, no Oceano Pacífico, na costa norte-americana de San Diego, na Califórnia.

Os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, juntamente com Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana, foram recebidos por equipas de resgate da NASA e da Marinha dos EUA, que levaram menos de duas horas para resgatar os quatro tripulantes da cápsula flutuante.

Os astronautas tornaram-se os primeiros humanos a viajar à volta da Lua e retornar à Terra, em segurança, desde a missão Apollo 17, em dezembro de 1972.

A viagem entra também para a história por ser a primeira que levou a bordo numa missão lunar o primeiro astronauta negro, a primeira mulher e o primeiro canadiano.

O voo Artemis II percorreu um total de 1.117.515 quilómetros e foi a viagem mais distante da Terra alguma vez atingida por seres humanos, ao chegar uma distância superior a 400.171 quilómetros da Terra.

Este foi o primeiro voo de teste tripulado de uma série de missões Artemis que visam levar astronautas de volta à superfície lunar já a partir de 2028.

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