Reino Unido
Keir Starmer admite erro na nomeação de Mandelson, mas resiste a demissão
20 abr, 2026 - 23:58 • Lusa
"Não devia ter nomeado Peter Mandelson. Assumo a responsabilidade por essa decisão e peço desculpa, mais uma vez, às vítimas do pedófilo Jeffrey Epstein", afirmou o primeiro-ministro britânico.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, admitiu esta segunda-feira que "não devia ter nomeado" Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos da América (EUA), mas alegou que desconhecia um parecer desfavorável e ignorou os pedidos da oposição para se demitir.
"No cerne desta questão está também uma decisão errada que tomei. Não devia ter nomeado Peter Mandelson. Assumo a responsabilidade por essa decisão e peço desculpa, mais uma vez, às vítimas do pedófilo Jeffrey Epstein", afirmou Starmer na Câmara dos Comuns.
Numa intervenção perante os deputados, confirmou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros deu o aval à nomeação de Mandelson apesar de um parecer desfavorável dos serviços de segurança.
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O caso, que ensombra o primeiro-ministro britânico há vários meses, voltou a ganhar destaque na quinta-feira, quando o jornal "The Guardian" noticiou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros tinha aprovado a nomeação de Peter Mandelson para o cargo em janeiro de 2025, apesar de um parecer desfavorável dos serviços internos.
Starmer vincou que a informação não foi transmitida ao ministro titular ou ao seu gabinete, e garantiu que se "soubesse, antes de ele assumir o cargo, que a recomendação da UKSV era de que a autorização de segurança devia ser recusada, não tinha avançado com a nomeação".
"É inacreditável que, ao longo de toda a sequência de acontecimentos, os responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros tenham considerado adequado ocultar esta informação aos ministros de mais alto nível do nosso sistema governamental", criticou.
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O chefe do Governo alegou que só na terça-feira passada foi informado desse parecer desfavorável, após uma investigação aos antecedentes e integridade para permitir o acesso a informações oficiais sensíveis.
Partidos da oposição da esquerda à direita do espectro político, desde os Verdes ao Partido Reformista, incluindo os Conservadores e Liberais Democratas, pediram em uníssono a demissão de Starmer.
"A sua reputação está em jogo", afirmou a líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, que acusou o primeiro-ministro de violar o código ministerial por não corrigir declarações anteriores no parlamento.
O líder Liberal Democrata, Ed Davey, disse que "o primeiro-ministro sabia que nomear Mandelson era um risco enorme".
"Decidiu que valia a pena correr esse risco. Um erro de juízo catastrófico. E agora que a situação saiu-lhe pela culatra, a única coisa decente a fazer é assumir a responsabilidade", desafiou.
Os detalhes do processo de nomeação e verificação à idoneidade efetuado pelo Governo deverão ser clarificados durante a audição de Olly Robins, despedido na quinta-feira do cargo de secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Keir Starmer já tinha sido forçado a reconhecer "o erro" e a pedir desculpa por nomear Peter Mandelson embaixador em Washington depois de o ter demitido em setembro passado.
Starmer acusou o antigo ministro trabalhista de ter "mentido repetidamente" sobre a amizade com Jeffrey Epstein, nomeadamente que manteve contacto muito depois do norte-americano ter sido condenado por aliciar uma menor, em 2008.
Nos últimos meses, o secretário de gabinete do primeiro-ministro britânico Chris Wormald, o chefe de gabinete Morgan McSweeney e o diretor de comunicação Tim Allan demitiram-se ou foram afastados por causa deste escândalo.
Em janeiro, documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostravam que Mandelson terá reencaminhado para Epstein informações confidenciais e potencialmente capazes de influenciar os mercados financeiros, em 2009, quando era ministro da Economia.
Os documentos também incluem registos de transferências de cerca de 75 mil dólares (64 mil euros no câmbio atual), entre 2003 e 2004, de contas associadas a Epstein para contas ligadas a Mandelson ou ao marido, Reinaldo Ávila da Silva.
Em março, também se descobriu que Starmer terá sido alertado sobre o "risco de reputação" que representava a nomeação de Peter Mandelson.
Mandelson, de 72 anos, detido e interrogado em fevereiro antes de ser novamente libertado, está a ser investigado sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público.
- Noticiário das 12h
- 11 mai, 2026









