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Comissão Europeia

Bruxelas apresenta plano para fertilizantes a 19 de maio para conter subida de preços

22 abr, 2026 - 16:49 • Olímpia Mairos , com Reuters

Comissão Europeia lança estratégia para reduzir custos, reforçar produção interna e acelerar descarbonização após impacto do conflito e do bloqueio no Estreito de Ormuz.

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A Comissão Europeia vai apresentar, a 19 de maio, uma nova estratégia para o setor dos fertilizantes, num contexto de forte pressão sobre os preços globais causada pelo agravamento do conflito no Irão. A iniciativa surge como resposta a desafios estruturais do mercado e ao impacto indireto da instabilidade geopolítica nas cadeias de abastecimento.

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Segundo a agenda política divulgada esta quarta-feira, o plano de ação pretende “acelerar a descarbonização e resolver questões de acessibilidade financeira”, que se tornaram mais urgentes devido aos efeitos em cadeia da guerra num mercado já caracterizado por limitações de oferta.

Um porta-voz da Comissão explicou que a estratégia visa “resolver vulnerabilidades estruturais e desequilíbrios de mercado, impulsionar a produção interna de fertilizantes e diversificar as cadeias de abastecimento”, acrescentando que poderão ser feitos “ajustamentos regulamentares, se necessário”.

O anúncio surge no mesmo dia em que Bruxelas revelou medidas adicionais para mitigar o impacto do conflito no Irão nos mercados energéticos da União Europeia, evidenciando a ligação entre energia e produção de fertilizantes.

A escalada dos preços intensificou-se após o encerramento quase total do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde transita cerca de um terço do comércio global de fertilizantes. A disrupção levou a um aumento generalizado dos preços, mesmo em regiões menos dependentes das exportações do Médio Oriente.

Embora a União Europeia não dependa diretamente de fertilizantes azotados produzidos naquela região, como a ureia, o efeito dominó nos mercados globais fez disparar os preços. De acordo com a consultora Expana, “a 7 de abril, os preços da ureia na Europa Ocidental estavam 55% acima dos níveis pré-guerra”.

Apesar da subida, os agricultores europeus ainda não enfrentam escassez nem impactos imediatos nos custos, uma vez que grande parte das necessidades para a época de plantação de 2026 foi assegurada antes do início do conflito, no final de fevereiro.

A médio e longo prazo, Bruxelas quer reduzir a exposição a choques externos. O plano incluirá medidas para reforçar a autonomia estratégica da UE e promover fertilizantes mais sustentáveis. Como sublinhou o porta-voz, o objetivo passa por “acelerar a transição para fertilizantes descarbonizados, com baixo teor de combustíveis fósseis e baseados em modelos circulares”.

Pacote de seis medidas para combater efeitos da crise energética

A Comissão Europeia apresentou esta quarta-feira o pacote AccelerateEU, composto por seis medidas para mitigar os efeitos da crise energética provocada pela guerra no Irão, combinando apoio imediato a famílias e empresas com reformas estruturais para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Bruxelas destaca que a coordenação entre Estados-membros será essencial para enfrentar a subida dos preços, propondo ações conjuntas como gestão de reservas de gás e petróleo, criação de um observatório de combustíveis e apoios temporários aos consumidores mais vulneráveis.

O plano inclui ainda o reforço da eletrificação, investimento em energias limpas e melhoria das redes elétricas, com o objetivo de acelerar a independência energética da União Europeia. Segundo a presidente Ursula von der Leyen, as medidas visam garantir “independência e segurança energéticas” e preparar a UE para futuras crises.

“As escolhas que fazemos hoje moldarão a nossa capacidade de enfrentar os desafios de hoje e as crises de amanhã. A nossa estratégia AccelerateEU trará medidas de ajuda imediatas e mais estruturais aos cidadãos e às empresas europeias. Temos de acelerar a mudança para energias limpas e caseiras. Tal proporcionar-nos-á independência e segurança energéticas e permitirá enfrentar melhor as tempestades geopolíticas”, afirmou a líder da comissão europeia.

A Comissão sublinha que esta será uma resposta flexível, a ser ajustada à evolução da situação, e que será debatida pelos líderes europeus numa próxima reunião do Conselho Europeu.

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