ONU
Bombas por explodir em Gaza vão ameaçar reconstrução durante décadas
24 abr, 2026 - 22:43 • Lusa
O Serviço de Ação Antiminas da ONU (UNMAS, na sigla em inglês) dispõe de dados que mostram que mais de mil pessoas morreram na Faixa de Gaza devido à presença destas munições relacionadas com o conflito.
A ONU alertou esta sexta-feira que a Faixa de Gaza, devastada pela guerra, está fortemente contaminada com munições não-detonadas, que matam e mutilam civis regularmente e representam uma ameaça permanente à reconstrução.
Estas granadas e bombas, e até mesmo simples balas, são omnipresentes no enclave palestiniano desde o início da guerra protagonizada por Israel, após o ataque sem precedentes do movimento islamita palestiniano Hamas em território israelita, a 07 de outubro de 2023.
O Serviço de Ação Antiminas da ONU (UNMAS, na sigla em inglês) dispõe de dados que mostram que mais de mil pessoas morreram na Faixa de Gaza devido à presença destas munições relacionadas com o conflito.
O número real é com certeza muito mais elevado, afirmou Julius Van der Walt, responsável do UNMAS nos territórios palestinianos ocupados.
Metade das vítimas registadas eram crianças, declarou Van der Walt, numa conferência de imprensa em Genebra.
Ao seu lado, Narmina Strishenets, da organização não-governamental (ONG) Save the Children, lamentou também o elevado preço pago pelos mais jovens na Faixa de Gaza.
De acordo com um relatório divulgado no ano passado por esta ONG, o uso de armamento explosivo no território palestiniano deixou, em média, 475 crianças por mês incapacitadas de forma potencialmente permanente.
Atualmente, a Faixa de Gaza tem “o maior número de crianças amputadas” do mundo, indicou Strishenets.
Segundo Van der Walt, a UNMAS ainda não conseguiu avaliar totalmente a extensão do problema, mas os dados disponíveis mostram já uma “densidade elevada” de contaminação do enclave por munições não-detonadas.
Até à data, a unidade da ONU identificou mais de 1.000 dispositivos deste tipo, em missões realizadas nos últimos dois anos e meio.
Tal equivale a aproximadamente um “a cada 600 metros”, sublinhou o responsável, acrescentando que esses são apenas os engenhos detetados.
A isto acresce o facto de a densidade populacional na Faixa de Gaza ser extremamente elevada.
Antes deste conflito, já era um dos locais mais densamente povoados do planeta, com cerca de 6.000 habitantes por quilómetro quadrado, observou Van der Walt, explicando que a guerra reduziu para metade o espaço disponível, duplicando a densidade.
“Estão a ser utilizadas armas explosivas” em todo o território, “incluindo em campos de refugiados muito densamente povoados”, afirmou, mencionando um caso recente em que foram descobertos restos de tais munições numa tenda ocupada há várias semanas.
Além disso, existe o risco de as colunas humanitárias poderem desencadear explosões ao atravessar a Faixa de Gaza, apontou.
Van der Walt referiu uma estimativa segundo a qual, na melhor das hipóteses, o processamento destas munições não-detonadas custará aproximadamente 541 milhões de dólares (461 milhões de euros), desde que todas as licenças necessárias sejam concedidas e o equipamento exigido esteja disponível.
Alertou também que a extensão da contaminação, sobretudo nos escombros, torna praticamente impossível uma avaliação completa e que esses explosivos continuarão a ser um problema provavelmente durante décadas.
Como exemplo, falou de bombas da Segunda Guerra Mundial que ainda são encontradas em estaleiros de construção de edifícios no Reino Unido, sugerindo que “se pode esperar qualquer coisa semelhante” na Faixa de Gaza.
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- 18 jun, 2026








