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MSF alerta para agravamento da crise no Haiti e risco de deportações dos EUA

24 abr, 2026 - 11:46 • Olímpia Mairos

Organização humanitária sublinha deterioração extrema das condições no país e pede manutenção da proteção a mais de 350 mil haitianos nos Estados Unidos.

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MSF alerta para agravamento da crise no Haiti e risco de deportações dos EUA. Foto: MSF
MSF alerta para agravamento da crise no Haiti e risco de deportações dos EUA. Foto: MSF
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MSF alerta para agravamento da crise no Haiti e risco de deportações dos EUA. Foto: MSF
MSF alerta para agravamento da crise no Haiti e risco de deportações dos EUA. Foto: MSF
MSF alerta para agravamento da crise no Haiti e risco de deportações dos EUA. Foto: MSF
MSF alerta para agravamento da crise no Haiti e risco de deportações dos EUA. Foto: MSF
MSF alerta para agravamento da crise no Haiti e risco de deportações dos EUA. Foto: MSF
MSF alerta para agravamento da crise no Haiti e risco de deportações dos EUA. Foto: MSF
MSF alerta para agravamento da crise no Haiti e risco de deportações dos EUA. Foto: MSF

A organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF) alertou esta sexta-feira para a “enorme e complexa crise” humanitária que se vive no Haiti, numa altura em que a Administração dos Estados Unidos procura retirar a proteção legal a mais de 350 mil haitianos residentes no país, o que poderá levar à sua deportação.

A situação poderá agravar-se com um caso que será em breve analisado pelo Supremo Tribunal norte-americano, cuja decisão terá impacto direto no estatuto legal destes cidadãos.

Segundo a MSF, “as condições humanitárias no Haiti deterioraram-se gravemente nos últimos anos, incluindo no acesso a cuidados médicos, colocando em risco qualquer pessoa forçada a regressar”.

A organização descreve um cenário de violência crescente e colapso de serviços essenciais. “O Haiti tornou-se um lugar muito mais perigoso para viver, trabalhar ou procurar cuidados médicos”, afirmou Tirana Hassan, citada no comunicado.

Sistema de saúde à beira do colapso

As equipas da MSF no terreno relatam um agravamento significativo da violência desde o início de 2024, sobretudo na capital, Port-au-Prince.

Mais de 60% das estruturas de saúde encontram-se encerradas ou a funcionar apenas parcialmente. “Algumas foram pilhadas, incendiadas e abandonadas, enquanto outras enfrentam escassez crítica de provisões, medicamentos e pessoal”, lê-se no comunicado.

A insegurança impede ainda o acesso a cuidados médicos, mesmo em situações urgentes. “Muitas pessoas têm demasiado medo de procurar cuidados de saúde, mesmo quando têm necessidades urgentes”, acrescenta a nota enviada à Renascença.

Violência obriga milhares a fugir

O agravamento dos confrontos armados tem forçado deslocações massivas. De acordo com estimativas das Nações Unidas, mais de 1,4 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas.

Relatos no terreno ilustram a gravidade da situação. “Membros da nossa equipa disseram-nos que estavam presos em casa devido aos tiroteios e sem forma de escapar”, afirmou Davina Hayles. “Quase 40 pessoas (…) procuraram refúgio no nosso hospital, sem terem outro local seguro para onde ir.”

Apelo à manutenção da proteção nos EUA

Perante este cenário, a MSF considera que qualquer decisão de retirar o estatuto de proteção temporária aos haitianos nos Estados Unidos poderá ter consequências graves.

“Esta é uma situação intolerável para as pessoas no Haiti e só agravaria a crise devolver os haitianos contra a sua vontade, colocando-os em perigo”, alertou Tirana Hassan, apelando às autoridades norte-americanas para que reconheçam a realidade no terreno.

A organização reforça que continua a prestar assistência médica no país há mais de três décadas, enfrentando diariamente necessidades humanitárias “avassaladoras” num contexto de insegurança extrema.

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