Portugal chama embaixador de Israel após detenção de ativistas
30 abr, 2026 - 19:25 • Ricardo Vieira, com Lusa
Em causa está a detenção em águas internacionais de ativistas pró-palestinianos que seguiam numa flotilha rumo a Gaza.
O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, disse esta quinta-feira que o embaixador israelita foi chamado para dar explicações sobre a detenção de ativistas pró-palestinianos, garantindo que as autoridades consulares estão preparadas para acolher os portugueses, na Grécia ou em Israel.
Pelo menos três cidadãos portugueses integravam a flotilha humanitária intercetada por Israel, que seguia em direção à Faixa de Gaza com mais de mil ativistas a bordo, apurou a Renascença.
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Em declarações à agência Lusa, à margem do Fórum Portugal Nação Global, em Lisboa, Paulo Rangel afirmou que "temos as nossas autoridades consulares em Telavive e em Atenas a fazerem todas as diligências para darem a proteção consular a estes ativistas que terão sido detidos, e eventualmente a outros que possam vir a ter problemas com Israel".
Como a flotilha foi travada em águas internacionais, o embaixador de Israel foi chamado para dar explicações ao Governo português, à semelhança do que aconteceu noutros países europeus, afirmou o ministro.
"Como houve esta operação em águas internacionais, dei instruções e já foi chamado o embaixador de Israel para dar explicações junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros", afirmou Paulo Rangel.
O governante assegura que "toda a proteção diplomática está ativada, aliás já tinha sido ativada preventivamente, mas está neste momento ativada nas duas capitais [Telavive e Atenas], onde ela pode ter efeitos favoráveis aos nossos cidadãos".
Amnistia fala em "intercepção ilegal"
A Amnistia Internacional (AI) refere que as autoridades israelitas intercetaram 22 embarcações e detiveram cerca de 175 tripulantes da Flotilha Global Sumud, que tentava chegar à Faixa de Gaza.
Erika Guevara-Rosas, diretora sénior de Investigação, Advocacy, Políticas e Campanhas da Amnistia Internacional, fala numa ação "descarada e ilegal" e acusa Israel de "detenção arbitrária de dezenas de ativistas".
“A marinha israelita, ao atravessar centenas de milhas no mar apenas para garantir que os barcos civis que transportam alimentos, leite em pó para bebés e material médico não cheguem aos palestinianos, revela até onde Israel está disposto a ir para manter o seu bloqueio cruel e ilegal, que já dura há 19 anos, da Faixa de Gaza ocupada”, afirma a responsável da Amnistia Internacional.
Apesar do cessar-fogo desde 9 de outubro do ano passado, "Israel apenas permitiu que chegassem suprimentos extremamente limitados a uma população cuja grande maioria foi deslocada à força", refere Erika Guevara-Rosas.
A AI manifesta "sérias preocupações quanto à segurança dos cerca de 175 ativistas detidos arbitrariamente e que estão a ser transportados para Israel".
A Amnistia Internacional documentou alegados maus-tratos e abusos contra ativistas de uma outra flotilha, que foram detidos em outubro de 2025, "incluindo privação de sono, negação de água potável e cuidados médicos".
Erika Guevara-Rosas apela à libertação "imediata e incondicionalmente" dos ativistas pró-palestinianos.
"Enquanto estiverem sob custódia, as autoridades israelitas devem garantir que todos os ativistas tenham acesso imediato a apoio consular, sejam tratados humanamente e protegidos contra tortura e outros maus-tratos. Os Estados devem apoiar urgentemente os seus nacionais detidos. Devem também implementar urgentemente medidas concretas para pôr fim ao genocídio de Israel contra os palestinianos em Gaza, incluindo o levantamento imediato do seu bloqueio ilegal e a permissão para que a ajuda humanitária entre e seja distribuída sem entraves em toda a Faixa de Gaza.”
[notícia atualizada às 20h24]
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