Ormuz. OPEP+ faz terceiro aumento da quota de produção de petróleo
03 mai, 2026 - 12:34 • Reuters
A OPEP+ vai aumentar as quotas de produção de junho em 188 mil barris por dia, apesar da saída dos Emirados Árabes Unidos.
A OPEP+ acordou este domingo um novo aumento da produção de petróleo para Junho, um aumento que permanecerá em grande parte no papel enquanto a guerra com o Irão continuar a interromper o fornecimento de petróleo do Golfo através do Estreito de Ormuz.
Sete países da OPEP+ vão aumentar as metas de produção de petróleo em 188.000 barris por dia em junho, o terceiro aumento mensal consecutivo, disse a OPEP+ em comunicado após uma reunião online. O aumento é o mesmo que o acordado para maio, menos a quota dos Emirados Árabes Unidos, que abandonaram o grupo a 1 de maio.
A medida visa demonstrar que o grupo está pronto para aumentar a produção assim que a guerra terminar e sinaliza que a OPEP+ está a prosseguir a sua abordagem à normalidade, apesar da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP+, disseram fontes e analistas da OPEP+.
“A OPEP+ está a enviar uma mensagem dupla ao mercado: continuidade apesar da saída dos EAU e controlo apesar do impacto físico limitado”, disse Jorge Leon, analista da Rystad e antigo funcionário da OPEP.
“Embora a produção esteja a aumentar no papel, o impacto real na oferta física continua muito limitado, dadas as restrições do Estreito de Ormuz. Trata-se menos de adicionar barris e mais de sinalizar que a OPEP+ ainda dá cartas.”
A quota da Arábia Saudita, o principal produtor da OPEP+, aumentará para 10,291 milhões de barris por dia em Junho, de acordo com o acordo, muito acima da produção real. O reino reportou à OPEP uma produção real de 7,76 milhões de barris por dia em março.
Os sete membros que se reuniram no domingo foram a Arábia Saudita, o Iraque, o Kuwait, a Argélia, o Cazaquistão, a Rússia e o Omã. Com a saída dos Emirados Árabes Unidos, a OPEP+ passa a contar com 21 membros, incluindo o Irão. Mas, nos últimos anos, apenas estes sete países, juntamente com os Emirados Árabes Unidos, participavam nas decisões mensais de produção.
A guerra com o Irão, que começou a 28 de Fevereiro, e o consequente encerramento do Estreito de Ormuz restringiram as exportações dos membros da OPEP+ Arábia Saudita, Iraque e Kuwait, bem como dos Emirados Árabes Unidos. Antes do conflito, estes produtores eram os únicos países do grupo capazes de aumentar a produção.
Mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, os executivos do setor petrolífero do Golfo e os comerciantes globais de petróleo afirmaram que serão necessárias várias semanas, se não meses, para que os fluxos se normalizem.
A disrupção no fornecimento impulsionou os preços do petróleo para um máximo de quatro anos, acima dos 125 dólares por barril, enquanto os analistas começam a prever uma escassez generalizada de combustível de aviação dentro de um ou dois meses e um aumento acentuado da inflação global.
A produção de crude de todos os membros da OPEP+ teve uma média de 35,06 milhões de barris por dia em março, uma queda de 7,70 milhões de barris por dia face a fevereiro, segundo um relatório divulgado pela OPEP no mês passado. O Iraque e a Arábia Saudita foram os países que fizeram os maiores cortes devido à restrição das exportações.
Os sete membros da OPEP+ voltarão a reunir-se a 7 de junho, de acordo com o comunicado.
- Noticiário das 16h
- 12 mai, 2026








