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Hantavírus em cruzeiro de luxo: casal holandês e cidadão alemão são os mortos confirmados

05 mai, 2026 - 06:13 • Redação com Reuters

Operação de evacuação em estudo. Um passageiro britânico foi já retirado e encaminhado para a África do Sul. Passageiros são orientados a permanecer em suas cabines por precaução. OMS diz que risco para o público em geral é baixo​.

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Equipas médicas estavam a preparar na noite de segunda-feira a evacuação de duas pessoas com sintomas do hantavírus, vírus mortal, do navio MV Hondius, de bandeira holandesa, um navio de cruzeiro de luxo que navega na costa ocidental africano e ao qual Cabo Verde recusou a atracagem devido à possibilidade de haver um surto a bordo.

A informação é avançada pela agência Reuters.

A embarcação transporta passageiros de várias nacionalidades, mas maioritariamente britânicos, americanos e espanhóis.

De acordo com a Reuters, cerca de 150 pessoas ainda estavam no barco depois de três pessoas terem morrido: um casal holandês e um cidadão alemão. Há mais pessoas doentes, incluindo um passageiro britânico que deixou o navio e foi transportado até à África do Sul.

O Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente da Holanda, entidade que está envolvida no combate ao surto, confirmou a presença do hantavírus num dos pacientes que apresentaram sintomas. A holandesa que faleceu também testou positivo para o vírus.

O Departamento de Saúde da África do Sul confirmou que duas das vítimas fatais eram cidadãos holandeses: um homem de 70 anos, que morreu em Santa Helena, a 11 de abril, e a mulher, de 69 anos, que morreu na África do Sul.

O britânico em tratamento numa clínica privada de Joanesburgo adoeceu em 27 de abril, enquanto a vítima alemã a bordo do navio morreu em 2 de maio, segundo informação da Oceanwide Expeditions.

O hantavírus, que pode causar doenças respiratórias fatais, se espalha quando partículas de fezes ou urina de roedores se tornam aerotransportadas. Não é facilmente transmissível entre humanos e não existem medicamentos específicos para tratar a doença. O tratamento concentra-se em cuidados de suporte, incluindo a ventilação mecânica nos casos de maior gravidade.

A Organização Mundial da Saúde afirmou que o risco para o público em geral é baixo e que não há necessidade de pânico ou restrições de viagem. No entanto, as autoridades de Cabo Verde, alegando precaução, não permitiram que o navio atracasse.

A OMS afirmou em um comunicado que identificou sete casos de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro de luxo, incluindo dois casos confirmados em laboratório e cinco casos suspeitos.

Um porta-voz da operadora do navio, a Oceanwide Expeditions, sedeada na Holanda, disse que, por precaução, todos os passageiros foram instruídos a permanecer em suas cabines para evitar qualquer possível disseminação do vírus.

A empresa estuda a possibilidade de os passageiros virem a ser examinados e desembarcados nas ilhas de Las Palmas e Tenerife.

"Há muita incerteza e essa é a parte mais difícil"

"Não somos apenas manchetes: somos pessoas com famílias, com vidas, com pessoas esperando por nós em casa", disse Jake Rosmarin, um norte-americano que é autor de um blogue de viagens.

"Há muita incerteza e essa é a parte mais difícil", acrescentou, numa mensagem vídeo publicada a partir do navio, no Instagram.

O MV Hondius partiu de Ushuaia, no sul da Argentina, em março, para uma viagem comercializada como uma expedição de natureza à Antártica, com preços de cabine variando entre 14 mil e 22 mil euros.

O barco passou pela Antártica continental, Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul, Ilha Nightingale, Tristão da Cunha, Santa Helena e Ascensão antes de chegar às águas de Cabo Verde, a 3 de maio.

O hantavírus geralmente começa com sintomas semelhantes aos da gripe, como fadiga e febre, de uma a oito semanas após a exposição.

Um porta-voz do Instituto Nacional de Pesquisa Médica e Meio Ambiente dos Países Baixos, citado pela agência Reuters, disse que a origem do surto ainda não está clara. "Podemos imaginar, por exemplo, que ratos a bordo do navio tenham transmitido o vírus", apontou.

"Outra possibilidade é que, durante uma escala em algum lugar da América do Sul, as pessoas tenham sido infectadas, por exemplo, por meio de ratos, e adoecido dessa forma", acrescentou.

Outra fonte da Reuters, Daniel Bausch, professor visitante do Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra, na Suíça, afirmou que existem algumas evidências de transmissão de pessoa para pessoa no caso do Vírus Andes, uma espécie de hantavírus encontrada na Argentina e no Chile.

"Portanto, é significativo que este navio de cruzeiro tenha iniciado sua viagem na Argentina", disse.

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